Opinião
Democracia, respeito e confian�a
Os produtores rurais geram empregos, produzem com tecnologia, fornecem comida barata e de qualidade, com abundância, sem contar que as exportações do setor sustentam sozinhas, há duas décadas, os superavits comerciais brasileiros. O êxito dos produtores tem várias razões e uma delas, sem dúvida, é o nosso senso de responsabilidade. Não é por acaso que a maioria da população apoia a luta dos produtores para atualizar o Código Florestal, apesar da oposição dos ambientalistas radicais. O que eles não conseguem perceber é exatamente esta relação de confiança que une os produtores e os brasileiros. Talvez porque desconheçam o conceito. A verdade é que os nossos produtores não devastaram a natureza, ao contrário, realizaram a mais impressionante revolução tecnológica da agricultura e da pecuária do mundo. É só conferir os números: o Brasil tem, hoje, 329,9 milhões de hectares ocupados com propriedades rurais. Deste total, cerca de 274,5 milhões de hectares, ou seja, 83%, eram explorados em 1965, quando foi editado o Código Florestal. De lá para cá, os produtores acrescentaram 55,4 milhões de hectares para a produção, o que significa menos de 7% de nosso território de 850 milhões de hectares. Em 1965, produzíamos 20 milhões de toneladas de grãos e, agora, 150 milhões. Produzíamos 2 milhões de toneladas de carne e, hoje, mais de 25 milhões. A maior parte das áreas acrescentadas não era localizada nas florestas, mas no Cerrado. Com esta nova fronteira, o Brasil tornou-se o segundo maior exportador de alimentos do mundo. Para manter nossa produção, precisamos mudar o Código Florestal. As alterações estão sendo debatidas de forma democrática e pacífica pelos partidos com assento no Parlamento, mas ambientalistas radicais desconfiam dos mecanismos e instituições da democracia representativa e rejeitam até o debate sobre as modificações. Com o apoio financeiro de empresas internacionais que se apropriam da natureza como ingrediente de marketing, alguns representantes de ONGs ambientalistas procuram influir na burocracia do Estado para impor à sociedade sua visão restrita do mundo. Curiosamente, evitam os riscos do contraditório, como se fossem portadores de uma verdade que não é acessível a todos. No Brasil, o radicalismo verde teve êxito até aqui. Há 46 anos, o Congresso brasileiro vem sendo privado da prerrogativa de votar normas ambientais. Todas as regras importantes foram criadas ou modificadas por meio de decretos, resoluções e portarias, decididas sem transparência por burocratas que jamais apresentaram à sociedade suas razões e seus argumentos. As coisas começaram a mudar com a proposta de atualização do Código Florestal enviada ao Congresso, apesar da oposição dos ambientalistas, que não desejavam sua votação. Os produtores rurais, porém, permanecem confiantes na promulgação da nova lei, resta agora a aprovação do Senado. Eles acreditam na democracia e no Parlamento. Além disso, consideram que suas razões precisam ser compartilhadas pela maioria. (*) É senadora da República pelo Tocantins.