Opinião
Espectros violentos
Certamente que as coordenações das demais candidaturas à reitoria da Ufal não tiveram responsabilidades para com o ato de vandalismo cometido contra um adversário comum, mas o episódio é mais uma comprovação do perigoso clima de agressividade, combinado com impunidade, que assola as ?manifestações? em Alagoas. É bastante provável que um grupo qualquer, opositor ao grupo encabeçado pelo professor Eurico Lôbo, tenha tomado a decisão de ?ir pro pau? e realizado o ataque ao ônibus onde os apoiadores do atual vice-reitor trafegavam. Infelizmente, o andar da carruagem em Alagoas confirma a hipótese de que o espírito baderneiro encarna em grupamentos vários sem nenhuma interferência mediúnica das lideranças identificadas como tal. Como declarou,há poucos dias, o presidente de uma central sindical, ?não dá para controlar as massas?. Essa alma incontrolável, irascível, inegavelmente tem ?baixado? com assustadora frequência, convertendo atos de protesto em condenáveis gestos de violência e desrespeito à cidadania. O apedrejamento do ônibus de uma das candidaturas à reitoria da Ufal é apenas mais uma demonstração da periculosidade deste espírito baderneiro que teima em assombrar Alagoas. Em verdade a grande atração para este espectro maligno é a impunidade. Parece que os delitos cometidos em nome de alguma causa social ou política são autoanistiáveis e seus cometedores dispõem, desde antes, de inusitada imunidade. Insulta-se, apedreja-se, cassa-se o direito de ir e vir da população, depreda-se os bens públicos, bloqueia-se aeroporto, interdita-se rodovias... é um regime de livre-balbúrdia. O que impedirá um grupo de apedrejar seu desafeto? Que punibilidade existirá para tal selvageria? A impunidade estimula os piores sentimentos, convoca os mais danosos espíritos.