Opinião
Palocci, kit gay & cidadania
A humilhação ronda o governo Dilma Rousseff. Quem primeiro mostrou as manguinhas foi Ana Hollanda, facilitando a vida de parentes com o dinheiro público. Há também, desde sempre, o trapalhão Edison Lobão, o lobo mau da energia. Como numa epidemia, de uma só vez, apareceram o médico trotskista Antonio Palocci e o ?educador? Fernando Hadadd, ministro da Educação. Reincidente, o ex-prefeito de Ribeirão Preto conseguiu driblar denúncias de contubérnio com empresas do lixo. (Prefeitos adoram o lixo). Depois disso, ainda ministro de Lula, foi acusado de habitualidade em homéricas surubas em uma mansão brasiliense, fato que determinaria o estupro da conta bancária do dedo-duro, o caseiro Francenildo. Desmoralizado em todas as frentes, foi defenestrado do cargo, embora tenha dado a volta por cima conseguindo eleger-se deputado federal. O cara não é fraco. Até então um pé de chinelo, em quatro anos AP construiu invejável fortuna. Provando que comunista não faz voto de pobreza (nem de castidade) multiplicou pães e peixes. Oficialmente a grana teria se originado de consultoria a grandes firmas. Tudo bem. Palocci é sanitarista. Foi ministro da Fazenda. Entenderia ele de economia o suficiente para ser tão regiamente pago? Ou valeu-se de tráfico de influência ? na Receita Federal, por exemplo ? para facilitar a vida dos clientes? Pintam outras origens: doações para a campanha de Dilma, lavadas na empresa de consultoria, teriam ido parar nas contas bancárias do sanitarista. Ou então, a grana do lixo finalmente enxaguada e desovada... Fernando Haddad ? como diria Hebe ? é uma gracinha. Nesse imbróglio do ?kit gay? e da gramática que odeia a gramática saiu-se pessimamente. Os companheiros dos movimentos homossexuais não perdoaram sua tibieza e disseram com todas as letras que ele havia ?amarelado?. Enquanto amarelava, um seu assessor, ar debochado, arrancando risos e gritinhos da plateia, assegurava que o ministério ficara três meses discutindo o quanto a língua vasculha e traquina numa transa homo. Pobre presidente. Valetudinária, pálida e com olheiras, refém do PMDB e do próprio partido ? e até da ?bancada evangélica? (Garotinho & Cia) ? chantageada, para salvar o seu ministro, foi impelida a vetar o uso do ?kit gay?. Fique triste não, seu Haddad. Não jogue fora seus videozinhos eróticos. Tem muitas faculdades de medicina, Brasil afora, loucas para incluí-los na sua grade curricular, como imprescindível equipamento para o curso de cidadania. (*) É médico.