Opinião
Da Gr�cia a Alagoas
A Grécia é um belo país. Sua admirável cultura, sua história, sua mitologia, estão representadas nas ruínas da Acrópole, sempre superlotada de turistas de todo o mundo. A Grécia dos últimos tempos, com suas greves, seus tumultos de rua, sua mais do que crítica situação, não lembra em nada seu antigo esplendor. A revista Der Spiegel desta semana traz uma matéria onde o que ocorre além dos violentos protestos dos funcionários públicos é mostrado com exemplos vivos:Dionisis Sargentis,58, é um deles: vendedor de material médico-hospitalar para hospitais públicos (grampos, parafusos para vértebras e articulações) não recebe os pagamentos há quatro anos e meio. O governo lhe deve 4,5 milhões de euros. Na semana passada, junto com outros fornecedores caloteados, invadiu alguns hospitais de Atenas e recolheu parte do material que tinha cedido ao governo, deixando os hospitais e pacientes desesperados.O governo deve 880 milhões de euros aos 75 fornecedores hospitalares, que vinham sobrevivendo à custa de empréstimos dos bancos. Com o agravamento da crise os bancos fecharam as torneiras, impossibilitando a continuidade de seus serviços. Peritos econômicos aguardam ansiosamente o que vai acontecer neste verão. Eles temem que possa haver um declínio no setor do turismo, um dos mais importantes pilares de sustentação da economia grega, representando 17% do PIB. O volume de reservas turísticas dos Estados Unidos caiu mais de 50%. O número de turistas britânicos, uns 3 milhões por ano anteriormente, juntamente com 2,3 milhões de alemães, espera-se que seja contraído em mais de 30%. Diz Kalliope Amyg, um jovem cientista político. ?O país está a dançar sobre um vulcão, não sabemos o que nos trará o amanhã?. Em grego não há tradução direta para o verbo ?poupar? num sentido monetário. E este é precisamente o modo como vivem os gregos. A Grécia precisa romper com seus velhos hábitos. O nível de competitividade é baixo, reformas necessárias estão atrasadas, a burocracia do governo é inchada e corrupta, e o país continua a viver para além dos seus meios; às funcionárias públicas com filhos em idade escolar é permitido que se aposentem com a idade de 50 anos. As semelhanças com nossa Alagoas atual são muitas. O velho modelo de Estado Paternalista, empregador-mor, supridor de mordomias, de aposentadorias graciosas e precoces, dominado por sindicatos raivosos e depredadores já se exauriu há muito tempo. Ninguém aguenta mais, é preciso mudar a pauta. (*) É médico.