loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Viol�ncia em Alagoas

Ouvir
Compartilhar

A maior parte do sangue derramado no mundo é devido à violência. Existem vários tipos de violência e, entre eles, a física que, como sabemos, pode ser exercida de várias maneiras. No Brasil, inicialmente povoado por degredados e colonizado por uma elite de comportamento medieval e relacionamento vassálico, ela começou cedo, agravou-se com os ciclos econômicos, particularmente o do açúcar, e continua em disparada. A primeira referência à violência física em Alagoas encontra-se, acredito, nos ?Anais ou Feitos da Companhia Privilegiada das Índias Ocidentais, desde o seu começo até o fim do ano de 1636?, de Joannes de Laet. No Livro Sétimo, referente ao ano de 1630, a página 109, diz: ?Os habitantes de Alagoa são os mais robustos de toda a costa, fazem-se respeitar, não querem ouvir falar em polícia, exercendo eles mesmos a justiça, e matam os outros à faca, como se fossem cães?. Como, na época, era conhecida como ?Alagoa? a atual Marechal Deodoro, não vejo nenhuma temeridade em afirmar que com ?Os habitantes de Alagoa...?, de Laet se referiu apenas aos que ali residiam. Também acredito que a primeira tentativa de crime de mando contra um alagoano ocorreu em 1º de abril de 1634, em Barra Grande, hoje Maragogi. Nesta data e local, informa o donatário da Capitania de Pernambuco, Diogo de Albuquerque Coelho, à página 197, de suas ?Memórias Diárias da Guerra do Brasil?, Antônio Fernandes, em troca de ?mercê que o contentasse?, devia assassinar, a mando de Matias de Albuquerque, o polêmico Domingos Fernandes Calabar. A tentativa não foi bem-sucedida porque o assassino, ?primo e coirmão? de Calabar, quando de seu intento, tropeçou, caiu sobre sua própria espada e morreu. Mas, qual o problema? Primeiro, é digna de nota a ancianidade da violência em terras alagoanas; segundo, por vários motivos, entre eles o lamentável desaparecimento da natureza pródiga de outrora, o desemprego e a fome os deodorenses não mais continuam tão saudáveis; terceiro, os crimes são cometidos pelos mais diversos tipos de armas; quarto, há muito que a violência extrapolou os limites da antiga vila e campeia, sem controle, por todo o Estado; quinto, as tentativas de crime de mando sempre logram êxito. Só quando acabarmos com a vassalagem à monocultura da cana-de-açúcar, através da diversificação da atividade agrícola, e com o culto aos latifúndios, transformando-os em pequenas propriedades, a terra será um patrimônio de todos e não um privilégio de poucos e os cidadãos poderão suprir suas necessidades básicas. Enfim, quando resgatarmos a cidadania do sofrido povo alagoano é que poderemos viver num Estado pacifista e humanista e que não possua índices sociais tão caóticos. (*) É professor da Ufal.

Relacionadas