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Opinião

Industrializa��o com seguran�a

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Dois temas atuais que estão na agenda da imprensa no Brasil nos remetem a discutir os conceitos econômicos e sociais que estão por trás deles: a nossa industrialização (ou desindustrialização) e a segurança desta mesma indústria para o seu crescimento sustentado. Nos dois temas temos de resgatar conceitos do economista Celso Furtado: o processo de industrialização não pode abortar antes de dar nascimento a uma economia próspera. É a ?construção interrompida? de Celso Furtado. É a desindustrialização que estamos discutindo nos dias atuais. E aí entra o outro tema: o da segurança, saúde e meio ambiente (SSMA). Desenvolver soluções que atinjam a hierarquia dos riscos, tanto em termos de pessoal, quanto dos sistemas operacionais e da sociedade são fundamentais. E necessários. É o conceito de SSMA ampliado, que equilibra os objetivos econômicos, sociais e ambientais. Na abordagem de SSMA, principalmente na indústria petroquímica, o evento mais recente é o ápice para a análise imediata dos riscos envolvidos e suas correções. Se for um evento com riscos ao ambiente, às pessoas, às próprias empresas, como o ocorrido na semana passada na fábrica da Braskem em Maceió, nada mais natural que exista, ainda mais rapidamente, um alinhamento de processos, dentro de um controlado ambiente de mudanças. De mudanças, não de descrédito no processo de industrialização da petroquímica no Brasil, como ao que assistimos na argumentação de alguns especialistas de plantão. Paraguaná, no Caribe venezuelano; Houston, nos EUA, e Veracruz, no México, ambas localizadas no Golfo do México; Bahia Blanca, importante complexo portuário na Argentina: esses são alguns exemplos de regiões na América Latina que convivem com indústrias de petróleo e petroquímica há décadas, como Maceió e o seu belo litoral. A cidade de Antuérpia, no norte da Bélgica, é um dos maiores exemplos na Europa do convívio equilibrado e seguro da indústria petroquímica com os moradores da região onde está instalada. A petroquímica brasileira continua em um processo acelerado de industrialização, que será potencializado com a geração de valores tecnológico, social e empresarial trazidos pela descoberta e pelo desenvolvimento das riquezas do pré-sal. É fato que está neste caminho no quartil superior dos ?benchmarks? da segurança industrial internacional e adequada à nova pauta de riscos de SSMA. Mesmo assim, ocorrem acidentes como o de Maceió, que não pode ser lido e analisado como evento fortuito, frequente. Não foi. Não é. A sua análise faz parte de uma complexa varredura de mais de 650 itens de conformidade de SSMA pela qual passa uma indústria petroquímica periodicamente, com elevados investimentos. Assim tem de ser lido. Onde houve uma falha? Qual a sua origem? A resposta estará em um diálogo entre todas as partes envolvidas na Braskem e na sociedade alagoana, que valorize as atitudes positivas e preventivas adotadas e identifique desvios e oportunidades de melhorias, atuando preventivamente em relação à ocorrência de acidentes futuros. Aqui também não podemos ter uma ?construção interrompida?. (*) É engenheiro químico.

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