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Opinião

O nosso Cristo pascal

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No tempo pascal um dos livros da Escritura Sagrada que a Igreja utiliza na sua liturgia é o Apocalipse. Texto difícil, que tem sido tão distorcido no seu sentido e propósito; texto tão intenso, tão atual e profundo. Na segunda metade do primeiro século cristão, nos reinados de Nero e Domiciano, a Igreja sofreu atrozes perseguições. Parecia o fim de tudo, tinha-se a impressão de que o mundo dos crentes ia desabar... Onde estava Jesus? Por que não agia? Qual o sentido de tanta dor: das perseguições externas, das infidelidades e defecções internas, do silêncio de Deus? O Autor sagrado escreve, então, para consolar os cristãos, a Igreja dos inícios e de todos os tempos: o Senhor Jesus estará sempre conosco e o seu triunfo de ressuscitado dos mortos é definitivo. No final de tudo, tal triunfo, aparentemente ambíguo nos tempos deste mundo, aparecerá em toda a sua pujança. Só para dar uma ideia desta visão impressionante, pense-se no Senhor tal qual aparece no capítulo primeiro desse livro impressionante e potente: ?Vi sete candelabros de ouro (significam a Igreja na sua totalidade). No meio dos candelabros havia alguém semelhante a um filho de homem (é Jesus morto e ressuscitado), vestido com uma túnica comprida (própria do sumo sacerdote) e com uma faixa de ouro em volta do peito (expressão da realeza). Sua cabeça e seus cabelos eram brancos como lã alvejada, igual à neve (sinal de eternidade e sabedoria), e seus olhos eram como chama de fogo (ele tudo vê, tudo penetra e seu olhar purifica). Seus pés pareciam de bronze incandescente no crisol (todo ele arde no fogo glorioso do Espírito e é firme e sólido), e sua voz era como o fragor de águas torrenciais (voz divina, como no Sinai). Na mão direita, tinha sete estrelas (as sete estrelas são a Igreja, sustentada firmemente pelo Senhor), de sua boca saía uma espada afiada, de dois gumes (sua palavra julga e define o bem e o mal), e seu rosto era como o sol no seu brilho mais forte (ele é todo esplendor divino). Ao vê-lo, caí como morto a seus pés, mas ele pôs sobre mim sua mão direita e disse: ?Não tenhas medo. Eu sou o Primeiro e o Último, aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para todo o sempre. Eu tenho a chave da Morte e da Morada dos mortos? (Ap 1,12-18). Este é Aquele em quem cremos, Aquele em quem esperamos, Aquele em quem a Igreja se sustenta e por quem vive, Aquele que é o sentido último da vida, das lutas e da morte dos cristãos: ele, o Cristo, o Vivente, nossa Páscoa! (*) É bispo auxiliar de Aracaju (SE).

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