Opinião
Armas e hist�ria
Antiguidades sempre chamam a atenção, mas algo mais que isto foi provocado pela descoberta de uma metralhadora militar, provavelmente da época da 2ª Grande Guerra Mundial, debaixo da cama de um suspeito de roubo de veículos em Maceió. Em primeiro lugar é de se perguntar como um vivente de Maceió consegue pôr a mão numa arma que deveria estar num museu. E ainda por cima, para a metralhadora em questão o suspeito contava com, pelo menos, 49 projéteis intactos, prontos para uso. Pergunta-se: onde e como o suspeito poderia ter adquirido uma arma como esta? Naturalmente a polícia alagoana (depois do fim da greve?) dará sequência a essa investigação com a devida atenção. O ideal pela característica militar e histórica do armamento, e munição, seria a participação da Polícia Federal com alguma parceria de integrantes das forças armadas. Uma outra questão instigante é o destino que será dado à velha metralhadora. Será arrolada como peça de inquérito e depois enviada a um daqueles depósitos judiciais de fundo falso (donde as armas fluem com escandalosa facilidade)? Não será que essa peça terá advindo de um desses arquivos nada mortos? O certo é que uma arma como essa deveria estar num museu (no resto do mundo é assim), devidamente identificada e desmuniciada. Por falar no tema, caso a metralhadora em questão seja efetivamente de uso no período 1939-1945, existe em Maceió uma instituição adequada para recebê-la: O Museu da 2ª Grande Guerra Mundial, sediado no Quartel da 20ª Circunscrição Militar. Destaque-se que esse memorial foi fundado pela major Elza Cansanção. O errado, para uma arma deste quilate histórico, é simplesmente destruí-la como uma qualquer recolhida nas campanhas de desarmamento. Pior ainda é, indiretamente, devolvê-la às ruas.