loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A constru��o dos desejos

Ouvir
Compartilhar

?Deixemos as mulheres bonitas aos homens sem imaginação .? A frase é de Marcel Proust, escritor francês, cuja obra ? A Procura do Tempo Perdido, traduz a busca humana de espaço e oportunidade para alcançar emoções realizadoras. A sentença exalta a capacidade do ser humano em criar a imagem ideal de seus sonhos. Nobre produto das pequenas imperfeições, da expressão transformadora nascida dos afetos, desenhada pelo olhar de uma inspiração duradoura. A beleza dominante se apresenta como uma figura pronta e modelar. Não incentiva as descobertas e a valorização dos detalhes. Seu poder não favorece à humildade dos sentimentos, prova sensível dos apelos da cumplicidade e dos laços das afeições. O fenômeno estético presente nos diversos campos do saber e nos projetos de cada ser humano, acompanha os anseios de seu ofício e de suas conquistas. A inquietação das ambições impulsiona o espírito para o crescimento, em uma síntese das expectativas cultivadas. O exercício da política revela a inesgotável ânsia de poder. Expõe as disputas acirradas e os egoísmos sem tréguas. A vontade de percorrer todas as instâncias representativas, em nome do ideal de servir à causa da democracia. Regime de todas as raças, de todos os credos e todas as paixões. O universo da cultura alimenta os símbolos naturais das vaidades. Muitos buscam a consagração dos ambientes que solenizam as letras. Outros, preferem o silêncio dos livros, a companhia dos mestres que murmuram verdades. Sem esperar o reconhecimento dos homens se tornam, ao seu modo, contemplados pela história do seu tempo. Existem noites que nos devolvem as outras noites perdidas, reza a inspiração de Omar Kayyam. Os grandes desejos se constituem atos de esperas. A paciente organização do tempo. A dedicação que qualifica a pretensão. As alegrias que se multiplicam nos momentos triunfantes. O menino do antigo engenho Mutange, de Maceió, que se tornaria o maior jurista do século, Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda, tratadista de renome internacional, alimentou o desejo de ingressar na Academia Brasileira de Letras. Alcançou a láurea aos 87 anos, em seu terceiro pleito eleitoral. Recepcionado pelo imortal Miguel Reale, ouviu o reconhecimento da grandeza de sua vida e a certeza de que tempo retroage para o início do desejo criador. Além de uma lição do seu próprio pensamento, glória que tarda é maior, porque exige mais altos espíritos para proclamar a beleza da vitória. (*) É advogado.

Relacionadas