Opinião
Piranhas e sua hist�ria
Em meados do século 17 se tem registro de Piranhas, onde no dia 8 de julho de 1658, Nicolau Aranha, Francisco de Brás e Baltazar de Farias obtiveram uma sesmaria começando pelo Rio Cabaças (afluente do Rio São Francisco), no Estado de Pernambuc, e desembocando em Entremontes (povoado piranhense), no Velho Chico. Há duas explicações sobre a origem de Piranhas: a lendária e a histórica. A lendária. Um pescador ao pescar uma piranha nas imediações da hoje cidade, esqueceu a faca. A partir daí, sempre que se referiam ao local, as pessoas chamavam ?Porto de Piranha?. Quanto à histórica, é que por volta dos meados do século 17, chegaram ao local as famílias Alves e Feitosa para exploração da pecuária de corte. Inicialmente, a povoação recebeu o nome de Tapera. Logo, passou a ser chamada de Piranhas. Em 1859, o imperador d. Pedro II fez uma viagem de cinco meses às Províncias do Norte (Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba). Sua majestade chegou a Piranhas no dia 18 de outubro do citado ano. No dia seguinte, viajou até a Cachoeira de Paulo Afonso. Nessa viagem, sentiu d. Pedro II que as desigualdades regionais entravavam o desenvolvimento do Brasil. Logo idealizou a construção de uma transferrovia ligando Piranhas ao Estado do Pará. Piranhas passou a ser ponto de intersecção desse projeto de desenvolvimento integrado para o País, já que a ferrovia aliada à navegação integrava as regiões brasileiras. A primeira etapa da ferrovia Paulo Afonso (assim era chamada), ligando Piranhas até Jatobá (PE), possuiu extensão de 116 km e foi inaugurada no dia 2 de agosto de 1883. Apesar do progresso, somente no dia 3 de junho de 1887 conseguiu sua emancipação, sendo desmembrada de Pão de Açúcar, ficando com uma área de 887 km², onde recebeu alguns quilômetros de Água Branca. Passaram-se os anos, ou melhor, décadas, e veio o golpe militar de 1964. A cidade de Piranhas foi uma das mais afetadas, já que uma das primeiras medidas do presidente Castelo Branco foi a desativação da estrada de ferro Paulo Afonso. Essa medida nocauteou a economia da cidade e da região, já que além da ferrovia, a navegação também foi afetada, pois funcionava interligada. O trem correu pela última vez com passageiros no 8 de junho de 1963 e a desativação total se deu no fatídico 31 de dezembro de 1967. O tempo passou e Piranhas mais uma vez colocou-se à disposição de ajudar no desenvolvimento do Brasil ao fornecer energia elétrica, por meio da Usina Hidrelétrica de Xingó, dissipando o medo da falta de energia na região Nordeste. Por tudo isso e muito mais, com seus belos casarios, beleza natural, diversidade cultural e riqueza histórica, a cidade de Piranhas fora tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Natural (Iphan), no dia 17 de dezembro de 2003. Hoje, neste dia 3 de junho de 2011, Piranhas recebe de braços abertos seus conterrâneos e visitantes para a festa alusiva aos 124 anos de Emancipação Política. (*) É deputado estadual.