Opinião
Animais sofridos
Justa é a grita pelos animais viventes em seus ecossistemas, mas injusto (e cruel) era o silêncio sobre os bichos em cativeiro, especialmente aqueles seres escravizados à diversão pública circense. Era, pois não é mais legal essa exploração dos animais em circos. Este avanço civilizatório, em contraposição a séculos de descaso cidadão para com os animais, deve-se, no Brasil, a aprovação pelo Senado de projeto de Lei que proíbe a exibição, em circos, de espécimes da fauna silvestre ou exótica. Essa proposta é de autoria da senadora Ada Mello, apresentado quando essa alagoana, suplente do senador Fernando Collor de Mello (PTB), exercia o mandato em substituição ao titular. Os méritos do projeto, inquestionáveis, comprovam a importância do instituto da suplência como posto integrante e indissociável da chapa majoritária. Atuando como um conjunto, os suplentes dão prosseguimento e enriquecem o mandato conquistado pelo voto, diretamente, pelo titular. As metas e compromissos do mandato senatorial, majoritário, não sofrem solução de continuidade em função da harmonia política, pessoal e programática. Com a aprovação desta nova determinação legal o conceito de humanidade passa a ser extensivo a espécimes animais até então indefesas frente ao poder e à crueldade dos homens. Públicos e notórios são os métodos cruéis usados no adestramento do animal para ações estranhas a seu próprio comportamento. Quanto mais bizarra, e/ou assemelhada a gestos ?humanos?, as atitudes dos ?bichos artistas? mais aplausos arrancavam da plateia. E quantas pessoas, nestes momentos, perguntam-se quais os procedimentos usados para ?ensinar? esses truques? Quantos se interessam em saber das condições de vida desses seres em cativeiro? A partir de agora, o esforço será garantir o cumprimento da Lei.