Opinião
FHC e as drogas
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) há muito anda defendendo a descriminalização do uso de drogas consideradas entorpecentes no país, principalmente depois de ter deixado o governo. Para FHC tem que liberar geral, drogas leves e pesadas - maconha, cocaína, crack, heroína e o que vier. Em entrevista à jornalista Mônica Bergamo da Folha de São Paulo em 29/05/11, FHC argumenta que o usuário não deve mais passar pela polícia, justiça e cadeia, rota que o afasta do tratamento em unidades de saúde. FHC deve acreditar que a polícia e a justiça conseguem alcançar e prender grande percentual de usuários de drogas, colocando-os na cadeia e lá, como não ressocializa ninguém, progride no crime, argumentação otimista e fatalista. Parece não saber que a polícia não consegue prender 1% dos usuários de crack nas cracolândias, dos maconheiros espalhados por todo canto deste país, dos animados foliões usuários de lança perfume, dos mais endinheirados cheiradores de pó, menos ainda dos usuários de heroína, haxixe e drogas sintéticas. A opção de procurar atendimento médico e psicológico está sempre disponível para os 99% dos usuários não alcançados pela polícia. Há que se acrescentar que usuário não vai mais para a cadeia, ele é autuado pela polícia e depois vai ser aconselhado na justiça. O ex-presidente também defende que o Brasil encontre uma fórmula de liberar a produção de drogas em pequena escala, doméstica, como já ocorre nos Estados Unidos e Europa, como se fosse fácil determinar a quantidade para tal. Por outro lado, o sertão nordestino poderia experimentar a mais espetacular reforma agrária, nunca vista nesse país, com o plantio de maconha em pequenas propriedades rurais, pois é ali onde se produz a erva com grandes concentrações de THC (tetrahidrocanabinol), sua substância psicoativa. FHC convida a todos para uma discussão sem hipocrisia sobre a descriminalização do uso de drogas, afirmando que ?o acesso à maconha é fácil no Brasil. E o elo entre a droga leve e a droga pesada é o traficante?. Diante disso, pode-se concluir que o distribuidor de maconha pode ser considerado um comerciante com grande desenvoltura nas vendas; o traficante, apenas o fornecedor de drogas pesadas. Citando experiências desenvolvidas na Europa, FHC defende a possibilidade do governo fornecer drogas para o usuário dependente. Assim, no futuro poderíamos ter o programa Bolsa Baseado, com cartão nas cores da bandeira da Jamaica, cestas básicas da dependência química com cachimbinhos e pedras de crack, canudinhos e sacolés de pó de cocaína, maconha e seda, alguma coisinha sintética e potenay para deixar os usuários fortinhos. Com essa defesa pela descriminalização do uso de drogas, principalmente da maconha, o ex-presidente corre o risco de ser chamado de FTHC. (*) É delegado da Polícia Civil ([email protected]).