Opinião
Ser� que existe Prefeitura em Macei�?
Morei durante dez anos na Praça Visconde de Sinimbu. Lugar aprazível, intensamente arborizado, no centro da cidade e, ao mesmo tempo, perto de uma que era, das mais belas praias de Maceió. Tinha como vizinhos: o Demócrito Barroca Filho; o Major Luiz Cavalcanti, que seria mais tarde governador do Estado; o empresário Simon, casado com Dona Blanquita. No outro lado da praça, habitavam: o governador Arnon de Mello; o Nelito Mello, que morava na casa que fora de Jorge de Lima; o Coronel Laurentino Gomes de Barros, pertencente à aristocracia do açúcar; a conhecida família Almeida. Enfim era um lugar que aglomerava estirpes ilustres das Alagoas. O prefeito Sandoval Caju, procurou embelezá-la com um mural de azulejos coloridos, muito ao seu gosto, mandou construir uma fonte na qual ergueu uma cópia do manequim ? menino fazendo pipi ? imitação do existente em Bruxelas e que é uma referência turística muito procurada naquela cidade. Não esqueceu de, sob as frondosas árvores, instalar alguns de seus bancos inconfundíveis, marcados com um grande S. A praça era realmente um lugar agradável de morar e perto de tudo. O ilustre Visconde de Sinimbu, uma das figuras históricas mais brilhantes do estado, deveria se sentir envaidecido, do alto de sua estátua, de ter sido homenageado com aquele espaço. Mas tenho passado ultimamente pela Praça Sinimbú e vejo, com enorme tristeza, ter ela, hoje, sido transformada em uma repugnante favela, lotada de barracos de plástico, mal cheirosos, que ferem qualquer sensibilidade menos apurada. Nossa antiga e bonita praça! E em plena cidade! Como deixam os responsáveis pela capital alagoana que aconteça tal descalabro! Como deve tremer, no sepulcro, o ilustre Visconde de Sinimbu misturado aquele horror! E na circunvizinhança temos: o Tribunal Contra a Violência Doméstica e Familiar e Contra a Mulher, a Casa Jorge de Lima, o Tribunal Regional Eleitoral, o Tribunal Especial Civil e Criminal, a Vigilância Sanitária, o Cartório de Direito, a Reitoria da Ufal e o INCRA. Há cinco meses que o MTL-Movimento Terra e Liberdade ? ocupa o lugar. Não sei onde despejam os dejetos. Ainda recebem do governo, alimentos. Ali, nas barbas do INCRA. Um assunto que é de sua grande responsabilidade. É inadmissível injuriar o próprio centro da capital do estado, que, aliás, mostra em todos os lugares, sobretudo nas ruas principais do comercio, um abandono total da prefeitura. Torna-se quase impossível transitar por essas vias públicas, tal a quantidade de camelôs que interditam as calçadas. Somando-se a esse inconveniente, a sujeira que se acumula nas mesmas. E querem atrair turistas para Maceió! (*) É escritora.