Opinião
Tudo como dantes
?A obrigação que cada qual tem de zelar pelo seu nome, não se baseia só no amor- próprio, mas no respeito que devemos aos solidários do nosso crédito?-Aluísio Azevedo. De fato, é sempre proporcional à quantidade e à qualidade daqueles que em nós acreditam. Talvez, publicado este artigo, já não mais esteja exercendo suas funções de ministro, mas a entrevista que o Sr. Palocci deu ao JN deixou bem claro que não existe o amor-próprio, nem a preocupação com quem quer que esteja solidário com seu estado de descrédito. Pois aqueles que vêm em sua defesa, todos eles, inclusive a presidente e seu vice, defendem, sim, o governo de plantão ao qual ele sempre contagiou. Como pode, logo ele, falar em presunção de boa-fé quando em outra oportunidade não o fez com o caseiro Fracenildo, violando seu sigilo bancário achando que os reais encontrados em conta corrente seriam frutos de compensações, por delatar suas visitas furtivas à mansão brasiliense. Foi incisivo e criminoso, ao contrário do que sugere hoje. Não sei se pareceu só a mim, mas a entrevista teve um tom como que encomendado. Essa história de citar, por todo o tempo, que sua situação perante a Receita Federal e outros órgãos fiscais é a mais regular possível e o entrevistador em nenhum momento frisar que as acusações que lhe pesam nada têm a ver com irregularidade, sonegação ou outras anormalidades ligadas ao fisco, denotou ser um guerreiro ensaiado. Deveria ser contundente nesse ponto e arguir que nada disso lhe está sendo cobrado, mas sim que tipo de assessoria misteriosa e milionária, em época tão propícia, ou seja, eleitoral, prestava. Somos conhecedores, até os mais incautos, que uma rescisão de contrato gera prejuízos a quem a causa. No caso do ilustre ministro, essa quebra, por ter que se integrar ao governo, encerrando suas atividades privadas, foi-lhe benéfica demais. Além de não ter que pagar multas por tal, recebeu de seus incógnitos clientes benesses e agrados os mais duvidosos possíveis. O resultado da façanha está vergonhosamente estampado em toda a imprensa. Deputados, até da base governista, sabedores da lama em que chafurda a governabilidade, chantageiam para conseguir seus intentos. E, como se não bastasse, vem nova denúncia do aluguel do apartamento em que mora. Pensávamos ter, com Dilma, iniciado uma nova era, quando sentimos, dentre outras, a forte modificação na política externa. Mas, diante de suas declarações de que iria esperar a volta do ?titular?, para tomar qualquer atitude ligada ao afastamento do ministro, ?continua tudo como dantes no quartel de Abrantes?.. (*) É bacharel em Economia.