Opinião
Como se faz um escritor
Nunca estranhei ver minha neta, de 13 anos, escrevendo textos de amor como se fosse uma pessoa adulta. Sabia que o sentimento não tem a idade certa para brotar. Vivi esta mesma experiência. Por isso não me assombrei quando li: ?Se eu disser que é uma completa tolice amar, eu estarei mentindo. Se eu disser que pessoas que amam são estúpidas, eu também estarei mentindo. Se eu disser que sobrevivo apenas por uma pessoa, estarei me enganando mais ainda. Mas se eu disser que vivo para amar? Seria verdade, de fato. Pessoas amam sem motivo algum, outras se apaixonam facilmente e outras dificilmente?. Onde ela foi buscar esta revelação sobre o amor, eu não sei? Há no texto um profundo conhecimento da alma humana, ao tempo que expõe sua intimidade ao interrogar-se: ?Mas se eu disser que vivo para amar?? Não há como explicar. Pouquíssimas pessoas, principalmente a família, quando distante da literatura, compreendem o jovem escritor. Primeiro, o tempo para si mesmo que não compartilha com ninguém. A leitura, a música, a arte e o aprendizado constante dos assuntos fora dos padrões hodiernos. Gabriela assistiu Ben-Hur, por conta das minhas explicações históricas sobre Roma e Cristo. Nem por isso dispensa os temas de sua idade. Mas há latente uma paixão particular pelos filmes românticos, pelos contos de fadas e pela aventura. A questão é que escrever exige bem mais que gostar de ler. Escrever exige disciplina, cuidado com a ortografia, gramática e vocabulário. Não basta lançar mão de idéias e negligenciar a escrita. É possível que eu seja um avô carrasco (não sei como ainda me mostra alguma coisa), quando desconstruo um texto definitivo seu. Não é demais reescrever tudo novamente. O principal é a idéia. Quando esta surgir. Anote. Guarde. Escrever ficção é saber contar uma história. É convencer a si mesmo de uma verdade que acabou de criar. É se emocionar com seu próprio texto. O autor que não convence a si mesmo não convence ninguém. Foi uma surpresa, quando no ano passado, encontrei o site http://www.escritoresalagoanos.com.br/. Mais ainda com o texto de Thalys Meireles, de 11 anos, de Palmeira dos Índios: ?As lembranças! O tempo passa, as folhas secam e caem, o vento as levam. São como as pegadas na praia, vem a onda e as arrastam de mansinho e as levam para o fundo do mar.Mas as lembranças, permanecem, são como as cicatrizes que nos marcam, ás vezes para sempre. Lembranças boas ou más, sejam quais forem, são lembranças que nos marcam como alegria ou dor.? É assim que nasce o escritor. (*)É escritor.