Opinião
Nota 10?
Depois de duas semanas de greve, o professorado da rede estadual de ensino público resolveu aceitar a proposta do governo e encerrou a greve. Menos um problema para os alagoanos, é verdade; mas uma antiga questão, recorrente neste tipo de conflito, segue irresolúvel. Por certa de 15 dias os alunos foram privados de aulas. É certo, como em toda greve deste tipo, a reafirmação da solene promessa onde se assegura que ?as aulas serão repostas!?. Serão mesmo? E de que forma? Quem acompanhará essa reposição e checará seus resultados? Deixando de lado méritos, deméritos, erros e acertos dos processos grevistas onde serviços públicos são interrompidos, se faz necessária uma reavaliação desses embates em função dos problemas causados ao público. Vítimas contumazes da repetição dos períodos nos quais as aulas são suspensas os estudantes (e seus pais e responsáveis) absorvem calados os prejuízos, talvez desconhecendo que alguns deles lhes serão irreversíveis. Quem defende os direitos do estudante? Professores e governo, engalfinhados até então, parecem unidos no esforço de arquivar o passado recentíssimo. Num átimo semanas sem aulas são dadas como recompostas. E a cada ano o estudante da rede pública fica mais distante da Universidade, mais ausente das listas de aprovados em concursos públicos e desaparecem completamente aos olhos dos headhunters que abrem as melhores portas das empresas privadas. Inerte, inexpressivo, o movimento estudantil parece ter sido esvaziado até de suas tendências festivas. Inexiste cobrança daqueles que são os principais prejudicados pela sonegação dos conhecimentos. No fim do ano, a burocracia parece contentar aos que tiveram o ano letivo malbaratado com a expedição de diplomas e/ou boletins que não valem o papel no que foram rascunhados.