Opinião
Roubar e matar
Como professor aposentado da Ufal ? ainda com restos de pó de giz nos dedos, nas narinas e na alma ? acompanhei com interesse apenas acadêmico o desenrolar do processo que culminou com a escolha do químico Eurico Lôbo para reitor. Desconheço as convicções político-partidárias do ungido. Sua eleição, no entanto, representa o (tão em voga no país) continuísmo administrativo iniciado há alguns anos. No meu romantismo bebedourense, boto fé na alternância do poder, como salutar exercício democrático, além de arejamento gerencial pela renovação. Transpirando democracia por todos os poros, dizendo odiar ditaduras ? sobretudo as de direita, muitos cidadãos gostariam de permanecer grudados nos seus cargos até a consumação dos séculos. O fato é que o experiente Lôbo venceu bem em um eleitorado sem cordeiros; antes seleto, independente, crítico, vezes hostil e, por natureza, oposicionista. Creio que seria uma aposta furada jogar as fichas no ?Projeto SUS?. Sim, porque o SUS (cavalo de batalha de uma candidatura derrotada) não pode com o próprio peso. Como pensar nele como tábua de salvação de uma Ufal? O SUS tem mais é que sair do papel. Deve cuidar do desmantelo do HGE, respeitar os doentes, pagar os hospitais e médicos com decência, antes de se imiscuir em questões de ensino. Quando se fala em continuísmo, SUS, decência, logo vem a doce e amável figura da presidente. É de cortar o coração o rosário de sofrimentos por que tem passado nossa dama de ferro. Primeiro com Palocci, reserva moral e ética do PT. Vítima da intriga de oposicionistas ?sem rumo e sem discurso?, de forma maldosa foi acusado de enriquecimento súbito e misterioso pela imprensa implicante, rancorosa e golpista. Se não bastasse o recalcitrante Palocci, a emoção afloraria de vez com a apoteótica libertação do mito das esquerdas Cesare Battisti. Como se sabe, Battisti e Dilma operacionalizaram quase na mesma época. Daí os indeléveis laços de ternura. Se pretendiam fundar ditaduras sangrentas deve-se aos arroubos típicos da idade... Enfim, o homem está livre. Um criminoso a mais ou a menos nas ruas, pouca diferença fará... Gostaria de finalizar os comentários refletindo sobre o revoltante crime que vitimou a jovem Giovanna Tenório. Vivendo num país de impunidades, onde um Palocci saiu aplaudido diante de uma presidente em prantos, Malufes da vida andam soltos e um bestial criminoso do quilate de Battisti é festejado como herói, todo mundo se acha no direito de matar e roubar. (*) É médico.