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Opinião

Tempos muito estranhos

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A semana começou com justificada expectativa em três eventos distintos. Primeiro, a definição do caso Palocci, segundo homem mais poderoso na hierarquia da República que, na Casa Civil, fora denunciado por extraordinário e rápido enriquecimento, cuja licitude não convencia a ninguém, a não ser a base aliada do governo e Sua Excelência o Procurador Geral de República, Dr. Roberto Gurgel, homem de inquebrantável boa fé. O segundo, relembrando alguns dos momentos mais críticos que precederam a Ditadura Militar, o motim dos bombeiros do Rio, que invadiram o Quartel General da corporação. Finalmente o julgamento do terrorista italiano Cesare Battisti,reconhecido assassino, pelo STF. A suposta maldição da Casa Civil, que nos 10 anos de governo do PT já tinha derrubado anteriormente José Dirceu, pela comprovada gerência do mensalão, cuja substituta, a atual presidente Dilma Roussef, também quase perdeu o cargo em 2008 sob a acusação de coordenar um dossiê sobre gastos sigilosos da gestão FHC e que teve em Lula, com seu empenho, a sua salvação, pois este já a via como sua sucessora. O mal-assombro continuou em 2010, na reta final da campanha, com Erenice Guerra, que caiu sob a fundamentada suspeita de seu filho fazer lobby nos corredores do Congresso. Lula, escaldado, não nomeou ninguém, manteve o interino, o discreto Carlos Eduardo Esteves até o fim de seu governo. Palocci foi o último a assumir e ser expelido pela cadeira ejetora da Casa Civil, como se alguma maldição oculta ocupasse o quarto andar do Planalto. Inverdade histórica, já que durante o governo de Itamar Franco,em 1993, o então ministro Henrique Hargreaves, acusado de fraudes no orçamento, foi imediatamente afastado do cargo e só voltou três meses depois, quando inocentado. E a semana termina melancolicamente: enquanto os bombeiros do Rio, que arriscam as próprias vidas dia e noite para salvar outras vidas, ganham um salário miserável e, desesperados, cometeram a indesculpável besteira de invadir o quartel e quebrar a indispensável hierarquia militar, continuam presos e serão processados, o terrorista italiano Cesare Battisti está solto pelo STF; Palocci e Dirceu, mesmo fora do governo e tendo como maior trunfo de suas milionárias consultorias o seu conhecimento dos caminhos que abrem as portas celestiais, continuarão impune e fantasmagoricamente faturando muito alto. É pra qualquer vivente normal refletir desconsoladamente sobre estes estranhos e aéticos tempos e talvez eles se encaixem bem no dito de Joubert: ?A justiça sem força, e a força sem justiça: desgraças terríveis!?. (*) É médico.

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