Opinião
O monstro da inseguran�a
Alagoas, nos últimos dias, esteve novamente à testa de grandes veículos da mídia globalizada. Especificamente foi destaque na afamada rede social dos 120 caracteres e num dos mais prestigiados sites jornalísticos em língua inglesa. Infelizmente, pois as motivações foram bastantes negativas. Um dos mais conhecidos astros da indústria musical, líder da banda Chiclete com Banana, Bell, tuitou um lamento sentido pela perda de sua guitarra predileta, apelando para os bandidos a devolverem. E a conceituada revista britânica The Economist, em sua edição virtual, bateu forte na realidade de insegurança pública alagoana através do artigo Murder in Brazil: Danger in Alagoas. Duas pancadas certeiras, cobertas de razões. O que fazer? Primeiro, reconhecer a força dos argumentos em ambas manifestações. Em seguida, combater a vergonha sem enfiar a cara num buraco como o vulgo acha que os avestruzes fazem quando se deparam com o perigo. Mas para dar o combate certo a essa realidade vergonhosa se faz necessário despir as pendengas provincianas, os preconceitos políticos e eliminar as tendências de autocomiseração. A tragédia da insegurança pública em Alagoas é muito maior que os conflitos partidários locais, assim como é algo infinitamente mais profundo que a superficialidade das abordagens corporativas. Tamanha é a incompreensão sobre a gravidade desta tragédia contemporânea alagoana que esses índices dramáticos da criminalidade no Estado são candidamente usados como ?justificativas? para reivindicações salariais, como se tais estatísticas não desmoralizassem também forças policiais envolvidas neste processo. Estamos diante de um monstro de grandes proporções, tão imenso e perigoso que toda Alagoas tem que se unir para combatê-lo a contento.