Opinião
Que tipo de carro � o seu amor?
Perdestes aquilo que considerava ser um grande amor? Calma: pode ter sido apenas um momento de dependência afetiva. A paixão e o desejo de estar grudado o tempo inteiro tendem a diminuir com o passar do tempo. Com o amor é diferente: a paciência e a vontade (que o processo dê certo) precisam de uma construção mais séria. Os orientais pregam três coisas que podem nos livrar de muito sofrimento: ter consciência da nossa finitude; ser inteligente para desfrutar o dia de hoje e (o mais difícil); não dar à alguma pessoa o poder de nos fazer felizes ou tristes. A matemática do amor parece ter um milhão de regras e, ao mesmo tempo, nenhuma. Difícil saber qual fórmula poderá (ou não) funcionar na nossa próxima relação afetiva. Vi meu pai (durante a vida inteira) fazer declarações de amor à minha mãe com elogios apaixonados e presentes acompanhados de lindos cartões. Esta foi a sua maneira de construir e manter o seu projeto de amor. Conseguiu, pois foi retribuído e nunca se achou ridículo em fazê-lo. No liquidificador afetivo contém desejos, sonhos, disputas e interesses (emocionais e materiais, não se engane). Há quem ame em paz e há os que insistem nos amores tipo ?jogo de tênis?, onde sempre há um perdedor e, consequentemente, um ganhador. Esse tipo de amor não presta. Certa vez recebi e-mail (aparentemente bobo) que me ensinou uma coisa linda: amor bom é amor ?frescobol?, onde diverte-se o dia inteiro com um final, no mínimo, agradável para ambas as partes, sem placar ou pódio com sorrisos e derrotas. Imagino que não haja maior exemplo de bom amor do que esse. Se o seu projeto amoroso desabou, agradeça a Deus por não estar passando em branco pela vida, reflita os erros, sacuda a poeira e busque uma nova perspectiva. Ame-se em primeiro lugar para poder dividir o seu melhor estado com alguém que te faça feliz, sem te causar terremotos internos ou fazer você ?pisar em ovos?. Se houver borboletas geladas a agitar o seu estômago, que seja por um momento digno, de atenção mútua. Se não for assim, pule fora! Outra coisa boa a se fazer: imagine o seu (possível) amor como se ele fosse um carro. Como ele é? Novo, que exige pouca manutenção e, apesar de não ser ?top de linha?, é acessível e nunca te deixou na mão? É antigo, cheio de coisas a fazer, que demandará uma fortuna na restauração e que somente será usado nos finais de semana? Ele merece esse investimento? Por acaso é veloz demais que, apesar de potente, assusta e chega muito rápido ao ?destino?? É confortável, anda em todo tipo de estrada e não faz cara feia por bobagem? Se por ventura tens alguém atualmente, aproveite bem esse test-drive ou (porquê não?) realize vários outros para chegar, enfim, à uma boa decisão, afinal de contas, vários modelos novos surgem todos os dias. Se as coisas não estão bem, até emagreça de tanto chorar, mas não perca a compostura sendo patético em busca de migalhas de amor de quem quer que seja. E tem mais: as pessoas possuem níveis de exigência diferentes. Isso vale para se comprar tomate na feira e também para escolher parceiros, daí, mesmo que isso venha ferir a tua alma, infelizmente, o seu tipo pode não ser o mais interessante para aquela(e) gata(o) estonteante. Cuide bem do seu amor com muito respeito. Mulheres inteligentes gostam disso. As burras não se contentam nem com uma montanha de ouro. Homens inteligentes adoram ser valorizados e compensam isso com trabalho duro, carinho e proteção. Os burros traem sem motivo. Paire acima de qualquer submissão afetiva, seja amando ou detestando. E seja feliz! (*) É jornalista e editor da Gazeta Automóvel / [email protected].