Opinião
Grave pecado
Era inevitável. Até que demorou para a mídia nacional descobrir o opróbio do abandono do monumento que marcou a visita do Papa João Paulo II a Alagoas. Evitável teria de ter sido esta situação vergonhosa, pois o monumento padece de um longo abandono de quase duas décadas, tendo sido deteriorado impunemente sem qualquer interferência, sem merecer quaisquer ações defensivas por nenhum órgão público ou entidade privada há, pelo menos, uma dúzia de anos. Em verdade depois de sua inauguração, vivida no momento sublime da presença do Papa João Paulo II em 19 de outubro de 1991, o chamado Papódromo usufruiu cerca de oito anos de prestígio e atividades sob a administração da Fundação Teatro Deodoro, ente governamental então responsável pelos teatros públicos em Alagoas. Espetáculos musicais, apresentações de balé, peças de teatro fizeram parte da agenda laica daquele equipamento urbano de origem devota. Naturalmente, muitas missas ali foram rezadas. O abandono sobreveio, de forma galopante, nas proximidades da virada do século, e produziu uma verdadeira devastação em pouco mais de uma década, reduzindo a uma ruína deplorável nosso monumento mais expressivo do ponto de vista internacional. Este descaso ora descoberto pela grande mídia brasileira já foi pauta de muitas reportagens nos veículos de comunicação da Organização Arnon de Mello. Durante todos esses anos, seja nessas páginas, seja através das rádios e da TV Gazeta, temos chamado a atenção das autoridades para o verdadeiro crime praticado contra um patrimônio de grande valor para a história, cultura e cidadania alagoana. O marco da visita do Papa João Paulo II a Maceió é um bem material que ultrapassa a comunidade católica, posto João Paulo II ser uma referência de liderança global de enorme abrangência política e social. Sua recuperação, especialmente no momento de beatificação de seu patrono, deveria ser entendida como mais que uma prioridade e sim como uma questão de honra.