Opinião
Cara pr�pria
Para quem faz questão de enxergar o ex-presidente Lula pelas lentes do preconceito político e/ou ideológico, acreditará piamente que está vendo a presidente rebelde, quiçá insurgente contra seu companheiro de partido e principal cabo eleitoral. O fato, inegável, é que a presidenta (como gosta de ser chamada) está imprimindo sua marca pessoal, desmentindo as teses de que ela governaria de língua presa, como boneca de ventríloquo de seu antecessor. O outro fato, inegável e antecedente à eleição de Dilma Rousseff, é que o então presidente Lula cansou de afirmar que sua candidata tinha personalidade própria, que seria eleita e que faria um grande mandato. E mais: seria candidata à reeleição. A candidata, no calor da luta pelo voto, igualmente cansou de afirmar e repetir que tinha seu estilo, que seria a chefe real de governo no caso de ser eleita. O problema é que muita gente achou que tais assertivas eram vãs promessas de campanha. Surpreendendo oposição e parte da situação (apoiadores da petista parecem ter acreditado nas avaliações oposicionistas) Dilma Rousseff está comandando com firmeza e plenitude o governo. Ou seja, a presidente está cumprindo o prometido na campanha. Perdeu quem apostou que ela seria manietada e transformar-se-ia numa marionete com os cordéis puxados por Lula, refém do PT e sua base aliada. Ledo engano. A democracia ganha, e muito, com esse andar da carruagem. Cada gestor público em posto político deve expor-se enquanto liderança própria. Ninguém deve pretender ser sombra de outrem e nesta alternância real das qualidades (e dos defeitos) de cada líder é que se fortalece a cidadania. Desde sua eleição a presidente da República tem honrado seus compromissos, o que é fundamental. Certamente seu mandato não será composto apenas de acertos, pois errar é próprio do ser humano.