Opinião
Carta aberta � presidenta
O signatário, é juiz aposentado a nível de desembargador, tendo iniciado seu trabalho ainda com 14 anos, como auxiliar de classificador de algodão, em Viçosa-Al, sob a orientação correta, equilibrada e honesta do saudoso Deoclécio Vieira. Meu velho genitor, sem recursos para sustentar uma prole de 12 filhos, lutava no dia-a-dia conduzindo um surrado Caminhão Ford ?queixo-duro?, transportando canas para a Usina Boa Sorte, do inesquecível Menestrel Teotônio Vilela, incansável defensor dos direitos humanos, contra um regime forte, de triste memória, minimizando os sofrimentos dos torturados. A inolvidável Escola Normal Rural ?Joaquim Diegues?, localizada na ?Princesa das Matas?, que abrigou notáveis intelectuais e profissionais liberais, valorizando conhecidos Mestres, serviu-me de berço para consolidar minha formação acadêmica e o triunfo profissional, seja como Advogado, seja como Magistrado, pelo que elevo ao Grande Arquiteto do Universo, as minhas preces diuturnamente. Nesse ínterim, porém, enormes obstáculos se interpuseram no meu caminho, a ponto de sentir na pele a angústia e o desespero de quem tem fome. Falo porque, n`algumas ocasiões, a família era obrigada a economizar o alimento que já se apresentava escasso em nossa mesa, às vezes usufruindo apenas de uma ou duas refeições , mesmo assim reduzidas. Nestas condições e com a vivência a respeito do assunto (como profissional interroguei e convivi com pessoas famintas e sub-alimentadas, procurando ajudar), sinto-me à vontade para dirigir-me à Suprema Mandatária deste País, que teve experiência dolorosa em sua vida, parabenizando-a pela grandiosidade de sua iniciativa com a criação do Plano ?Brasil sem miséria?, destinado a acabar com a pobreza extrema, que tanto denigre a imagem de uma Nação emergente. O pronunciamento do ilustre Secretário geral dessa Presidência, dr. Gilberto Carvalho, que me parece competente e dedicado, mostra a prioridade e a importância do Projeto. Pelo visto, não se cuida de corrigir deficiências do Bolsa Família. Deseja esse ambicioso Plano, levar comida a milhões de brasileiros sem teto, sem perspectiva de vida e sem trabalho. Ao lado, porém, dessa enorme tarefa, onde Vossa Excelência busca o apoio de todos: Estados; Municípios; Ongs; Empresários e, enfim, a sociedade no seu conjunto, envolvendo todas as categorias em atividade, faz-se preciso não estimular a ociosidade, porque a falta de cultura e o hábito de muitos de se conformarem com o mínimo e com as dádivas, poderá servir de arrimo à preguiça e ao comodismo, comprometendo o futuro desta Pátria que não desejaria ser o abrigo de analfabetos e ociosos. Como bem o disse o dr. Carvalho, é preciso ensinar a pescar. É imprescindível que o Plano contenha direitos e deveres severos, com rigorosa fiscalização. Não deslembrar que o governo central dispõe de estrutura suficiente nos Estados para consolidar essa maravilhosa ideia. De minha parte, da minha família de pessoas que oriento e amigos, pode a eminente Dama de Ferro ficar ciente de que não haverá recusa, ao contrário, a adesão será integral, porque nada mais incomoda ao ser humano (assim penso), do que saber que famílias inteiras, máxime crianças e idosos, vivem sob pontes e dormindo nas calçadas, sem futuro e sem ter o que comer ! (*) É membro da Academia de Magistrados e da Associação Alagoana de Imprensa.