Opinião
Ref�ns da bagun�a
Mais uma vez, numa cena tristemente recorrente, uma manifestação é promovida por uma minoria em prejuízo da maioria. E aos lesados, sem ter a quem apelar, resta amargar os danos sofridos. Não se discute aqui as razões do grupamento protestador, mas sim a execrável forma de expressar seu descontentamento, deliberadamente causando danos a outrem para, através do constrangimento alheio, auferir ganhos. Que merecidos sejam seus ganhos. Parabéns pela conquista. Mas o grande perigo para a democracia é que, cada vez mais, a coerção à parcelas inocentes e indefesas da população é usada como método de reivindicação. Este foi o caso da luta de um grupo autoidentificado como ?assentados e moradores? do povoado de Ouricuri, localidade integrante do município de Atalaia. Justa, num primeiro passar d?olhos, a demanda ouricuriense tinha como fulcro uma dupla meta, a saber: obras no acesso rodoviário e melhoria no fornecimento de energia elétrica. Por conta dessa meritória bandeira, a rodovia BR-316 foi bloqueada. E interditada ficou durante seis horas (!), numa singela cassação do constitucional direito de ir e vir de todos que precisaram usar aquela via no dia 20 de junho. Ninguém sabe quantas pessoas sofreram danos em decorrência dessa ação ilegal. Afinal quem se preocupa com os reféns da truculência reivindicante? Quem necessitava chegar a algum hospital, quem precisava trabalhar, quem tinha que alcançar um banco durante o horário adequado? Quantas pessoas, ao fim e ao cabo, se prejudicaram injustamente para que as justas reclamações do Ouricuri recebessem diáfanas promessas? Afinal, nada além de prometimentos podem ser conquistado numa lide deste tipo. E como tornou-se regra em Alagoas, ninguém será punido por prejudicar a população. Resta aguardar a próxima bagunça.