Opinião
Querido presidente
Há precisamente um ano escrevi, nesta página, que o governo de então não reconhecia méritos em anteriores e queria nos fazer crer que o Brasil fora descoberto em 2002, pelo presidente Lula. Afirmava, no artigo, a cooperação dos governos anteriores para que se chegasse à estabilidade econômica. Todos, até com seus insucessos, como laboratório, contribuíram para tal. Nesses últimos dias, em comemoração aos oitenta anos de Fernando Henrique Cardoso, foi criado um site onde diversas personalidades nacionais e internacionais prestam homenagens ao ilustre aniversariante. O Nobel de Literatura, peruano Mario Vargas Llosa; o Nobel da Paz, ex-vice-presidente americano Al Gore; o escritor, professor de FHC na USP e um dos fundadores do PT, Antônio Cândido; o ex-presidente Bill Clinton; o escritor panamenho-mexicano Carlos Fuentes; o ex-secretário da ONU, Kofi Annan; Marina Silva, ex-senadora e tantos e tantos outros políticos, empresários, artistas, cantores, jogador de futebol, perfazendo o sugestivo número de oitenta. Setenta e nove dessas personalidades não me causaram nenhuma surpresa. Li parte de algumas, mas uma, apenas uma, fez-me ver por completo o seu testemunho. Assim começa: ?Em seus oitenta anos há muitas características do Senhor Presidente Fernando Henrique Cardoso a homenagear. O acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro-arquiteto do plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica?. E segue: ?Quero aqui destacar também o democrata. O espírito do jovem que lutou pelos seus ideais, que perduram até os dias de hoje. Esse espírito no homem público, traduziu-se na crença do diálogo como força motriz da política e foi essencial para a consolidação da democracia brasileira em seus oito anos de mandato?. Ainda diz que ?Fernando Henrique foi o primeiro presidente eleito desde Juscelino Kubitschek a dar posse a um sucessor oposicionista igualmente eleito?. Afirma não esconder ?que nos últimos anos tivemos e mantemos opiniões diferentes, mas, justamente por isso, maior é minha admiração por sua abertura ao confronto franco e respeitoso de idéias?. E finaliza com um ?Querido Presidente, meus parabéns e um afetuoso abraço! Dilma Russeff?. Se a mim causou surpresa, o que não deve estar sentindo o imenso séquito que reza pelo pensamento ególatra do caixeiro-viajante? Quem sabe, ciúmes. (*) É bacharel em Economia ([email protected]).