Opinião
Festividade junina
Vivencia-se nesta época os festejos juninos, consagrados ao Santo Antônio, São João e São Pedro. O primeiro, português, nascido em Lisboa, Portugal, e falecido em 13 de junho de 1231, grande figura da terra de Camões; o segundo, conhecido como Precursor e fez o batismo de Jesus Cristo, e o terceiro, chefe dos doze Apóstolos e martirizado em Roma, provavelmente em 67 da nossa era, tendo sido o primeiro Papa da Igreja Católica. A festa junina é realizada em todas as partes do Brasil, principalmente no Norte e Nordeste, significando o espírito religioso popular, mantendo uma tradição de longos tempos. As Igrejas, com suas preces e cânticos, celebram os dias 13, 24 e 29 de junho de cada ano. O povo com suas rezas em suas casas, iluminadas ao clarão das fogueiras, bandeirolas recortadas em ângulos, e pendentes de cordéis, drapejavam ao sabor das brisas juninas. Bem que aquelas achas esbraseadas lembravam os tempos primitivos, quando o antropóide recolhia a sua caverna ao pé da lareira. Tiriritando, apesar dos pêlos remanescentes. A garotada prorrompia em gritos, ao ver os balões (hoje proibidos) subindo rapidamente, eram como símbolos da sorte. Em seguida, vinham jovens empunhando pistolões, chuvinhas, bombas, estrelinhas e diabinhos. Lembro-me dos buscapés propiciando um combate um tanto exagerado. O foguetório era grande. Em seguida, vinham nos salões as Quadrilhas, onde os folcloristas, pelo menos no Nordeste, uns a consideram dança folclórica, outros não. Temos, ainda, a conhecida dança de Coco, também chamada de Pagode e as Quadrilhas com casamento matuto. A quadrilha vinda da França que continua a percorrer o mundo radicou-se na Europa e nas Américas, sobrevivendo-se extraordinariamente há mais de 03 séculos. O coco sempre teve acentuada predominância nas festas juninas de nossa capital, como também na época natalina. No que refere as comidas típicas, as tradições não se alteraram; existem ainda o milho assado, a canjica, o munguzá, a pamonha, o bolo de milho e o bolo de mandioca. Nos bairros maceioenses, festividades aos três grandes santos devem continuar mantendo a tradição de outrora como que num renascimento, fazendo retornar o júbilo popular, o espírito místico do povo alagoano, o amor às coisas belas. É confortável escrever sobre o passado, ao clarão das fogueiras iluminando as noitadas juninas. (*) É procurador de Estado, aposentado, e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.