Opinião
Menos desemprego
Dois dados, colhidos em pontas opostas na escala social, reafirmam a manutenção do processo de crescimento econômico no Brasil contemporâneo. Segundo o IBGE, em maio deste ano, a taxa de desemprego alcançou seu mais baixo patamar desde maio de 2002. E pelas contas da Merrill Lynch & Capgemini o número de milionários no Brasil subiu mais 6% em 2010. Em verdade, o saudável crescimento deve brindar a economia em todas as suas faixas sociais. Daí, ao serem acrescidos outros tantos dados positivos noutros tantos segmentos (educação, saúde, ecologia, segurança...) teremos enfim embarcado no tal conceito do desenvolvimento, definição a qual, nos últimos tempos, tem sido colado o adjetivo ?sustentável?, espécie de palavra mágica que estende o manto da bênção verdejante, ideológica, ao materialismo puro dos números. Com ou sem adjetivos da moda, o importante é observar se o processo de crescimento econômico devidamente registrado pelos frios balanços do tipo PIB está beneficiando a mais de um nicho social ou se estaria sendo concentrado no mesmo ápice da velha pirâmide social. A redução da pobreza, portanto, passa a ser questão chave, para além do entendimento filantrópico que teima em se enraizar nas políticas sociais. Ampliar a oferta de emprego e criar fontes de renda para as camadas menos favorecidas é a única política que se sustenta (para usar a palavra mágica) no emaranhado de pretendidas vias de inclusão social. Sem emprego, sem renda proveniente do trabalho real (seja formal ou informal), não existe salvação. Os paliativos do tipo ?bolsa? devem ser vistos como transitórios. Úteis, porém assistenciais. Crescer o número de ricos no Brasil não é novidade, mas manter o pique na redução do desemprego é a notícia mais alvissareira que desejamos manter em alta.