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Opinião

A Copa e o RDC

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O professor de ética da Unicamp, Roberto Romano, presença constante no Painel, um dos melhores programas de jornalismo da Globo News, conta uma história muito auto-explicativa dos tempos atuais no Brasil:convidado para um seminário sobre Ética e Decoro Parlamentar no Congresso, previsto para o auditório Nereu Ramos, 500 poltronas, lá passou por grande constrangi- mento. Ocorreu que apenas as primeiras filas do auditório foram ocupadas. Pessoas e partidos que há alguns anos atrás exigiam agressivamente transparência no governo e que hoje zombam da opinião pública, circulavam pelas proximidades do evento e agora instalados no poder, não tinham mais nenhum interesse pelo tema. O seminário foi transferido para uma pequena sala de comissões e mesmo assim chegou ao fim entregue às baratas. É oportuna esta respaldada constatação quando veem a lume dois eventos emblemáticos que se inserem como luva nesta questão: o julgamento do mensalão e a apreciação pelo Senado do RDC ( Regime Diferenciado de Contratações ). Em relação ao mensalão o ex-presidente Lula já se antecipou aos possíveis e incertos desdobramentos partidários internos e chamou os companheiros á responsabilidade, alertando que o ex-ministro Palocci só caiu por falta de coesão interna. Jamais demonstrou preocupações mínimas com a culpabilidade ou inocência dos envolvidos. Em relação ao indeglutível RDC, que tenta manter afastado da opinião pública os gastos com as obras e outras despesas relacionadas com a Copa, se os elevadíssimos gastos efetuados com os Jogos Pan-americanos (800% acima das previsões iniciais ) não fossem suficientes, resuma-se o que ocorreu na África do Sul. Ali foram gastos US$ 4,9 bilhões em estádios e infra-estruturas, que gerariam rendas imediatas de US$ 930 milhões derivadas do afluxo de 450 mil turistas, mas só arrecadou US$ 527 milhões dos 309 mil turistas que de fato entraram no país, onde se incinerou US$ 2 bilhões na reforma e construção de dez arenas esportivas para a Copa, das quais só uma, a Soccer City, em Joanesburgo, tem tido algum uso que justifique minimamente os seus custos. Na cidade do Cabo, o debate atual é pela demolição do novíssimo e inativo Green Point, que custa US$ 4,5 milhões de manutenção. O Brasil vai superar a África com a edificação de 12 arenas, a custo incerto, que querem manter em sigilo por injustificáveis razões. Um fortíssimo lobby midiático da FIFA e CBF tenta esconder o que se passa nos bastidores. No final quem pagará as contas será o contribuinte. (*) É médico.

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