Opinião
Guarda-chuva � milanesa
Lindo. Sério. Bicolor. Chumbo, suavemente dourado, com uma parte menor quase roxa, fosca e acinzentada. Finos detalhes dourados no cabo e na engrenagem. Estilo italiano. Compramos na belíssima Galleria Vittorio Emanuele 2º, em Milão. De repente: Cadê? Cadê o guarda-chuva? A nossa história na cosmopolita cidade italiana, porém, começara no dia anterior. Assim que chegamos ao hotel fomos dar uma volta nos arredores, próximos à Porta Romana, uma das antigas portas de entrada em Milão. Ficou tarde, restaurantes fecharam, e acabamos jantando mesmo um McDonalds na calçada em frente, com o muro da escadaria da vizinha estação de metrô servindo de mesa. Romântico, por isto mesmo. Dia seguinte, rumamos à Piazza di Duomo, como é mundialmente conhecida porque lá se encontra a Duomo di Milano, talvez a mais impressionante edificação em estilo gótico de toda a Europa. Complexa, grandiosa e de uma beleza estonteante. Aliás, lá não se pode deixar de visitar também o Palazzo Reale di Milano, de estilo neoclássico. Depois, ingressamos na Emmanuele. Como chovia um pouco, compramos um guarda-chuva em perfeito estilo italiano. Aquele, do início. Como era bonito!... Dava gosto chovesse, só para que a gente pudesse passear por ele protegidos. Iniciada a noite resolvemos nos aquietar num de seus restaurantes. Alojamos no chão, quase debaixo da mesa, o guarda-chuva e a sacola de compra contendo apenas a embalagem (o relógio que ganhara de presente de aniversário já estava no meu pulso). As duas também chamavam a atenção por sua beleza. Já as massas, tão custosas quanto deliciosas. Ao menos. Comidas, fomos passear mais. O frio já se instalara, mas a noite ainda tardaria ? não escurece antes das 8h30. Muitas bicicletas de aluguel. Andavam livre e despreocupadamente entre os carros, que atentamente delas desviavam ou eram por elas obrigados a frear. Atravessar a rua, moleza. Bastava a menção de pisar a faixa de pedestre para o carro brecar de imediato. Foi quando Ana Paula deu pela falta do guarda-chuva. Claro! No restaurante da Emmanuele. Fomos correndo, não. Mas com o passo apressado. Droga, perdê-lo. Tão bonito. E nem serventia havia tido ainda. A galeria ficando mais perto, mais rápido caminhávamos. Pouca, porém, a esperança. Enfim, chegamos. Havia um casal na mesma mesa. Já pretendíamos falar com o gerente quando, abaixando os olhos mais detidamente, a surpresa: lá estavam nosso ombrello e a sacola com a caixa vazia de meu relógio, intactos e na mesma posição. O casal nos sorriu e ali caiu a ficha de que já estávamos, mesmo, na Itália. (*) É advogado.