Opinião
Jo�o, o Batista
Celebramos, no último 24 de junho, a festa de São João Batista... Como não recordar as palavras do inesquecível Luiz Gonzaga: ?Ah, São João, São João do carneirinho, você é tão bonzinho...?? É este o São João do imaginário popular, colega de Santo Antônio, o ?casamenteiro? e de São Pedro, o ?chaveiro do céu?. João foi, antes de tudo, um homem querido por Deus: ?Houve um homem enviado por Deus. Seu nome era João? (Jo 1,6); um homem de Deus, que fazia recordar as coisas do céu. Viveu em função de Deus, no deserto. Não era João do carneirinho, bonzinho; era duro como pedra, alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre, vestia-se com pêlos de camelo e um cinturão de couro. Jesus fez-lhe um elogio rasgado: ?Quem fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Um homem vestido de roupas finas? Que fostes ver? Um profeta? Eu vos afirmo que sim, e mais que um profeta... Entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior do que João, o Batista? (Mt 11,7-11). Sua missão: preparar a chegada do Messias, despertando e agitando o coração de Israel. Homem de fogo, inconformado com a mediocridade de uma religião arrumadinha! Foi também um homem que soube relativizar-se: ?Eu não sou o Messias, sou apenas a voz que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor!? (cf. Jo 1,19-30). Levar Deus a sério custou caro a João. O profeta tem sempre a incômoda missão de recordar que o homem não é a medida de todas as coisas: nem tudo é lícito, nem tudo é permitido, nem tudo é de acordo com a vontade de Deus. Herodes mandou prender o profeta. Foi na prisão, que ele deu o mais belo testemunho sobre Jesus: havia anunciado um Messias juiz, vingador de Deus e, agora, ouvia as notícias sobre Jesus: que era manso, humilde, misericordioso... Não era bem o Messias que ele havia imaginado. Chamou dois discípulos e os enviou a Jesus: ?És aquele que deve vir, ou devemos ainda esperar outro?? E Jesus responde: ?Dizei a João: os coxos andam, os cegos recuperam a vista e os pobres são evangelizados?. Eram os sinais do messias... E completou: ?Felizes os que não se escandalizam por minha causa? (cf. Lc 7,18-23). João também teve que deixar sua própria visão de Messias, para acolher Jesus, o Messias como Deus mandou.. Foi sua última conversão, seu último testemunho. Agora, podia morrer em paz. E morreu, vítima da fraqueza de um rei bêbado, da maldade de uma mulher maquiavélica e da leviandade de uma menina vulgar (cf. Mc 6,17-29). João é grande porque soube fazer-se servo; João será sempre um exemplo para os cristãos... Por isso ?depois de morto, ele ainda fala? (Hb 11,4). (*) É bispo auxiliar de Aracaju/SE.