Opinião
O futuro no polegar
Quando o filme 2001 Uma Odisséia no Espaço foi lançado em 1968, no ano seguinte era possível ver, pela televisão, o homem pisando o solo lunar. Razão pela qual a ficção de Stanley Kubric parecia tão próxima da realidade. Aquele era o mundo que imaginávamos para o século 21. E, o que ocorreu de fato foi uma evolução tecnológica enorme nos últimos 30 anos do século 20. A começar pelo computador, até então chamado ?cérebro eletrônico?, objeto de muita divagação da ficção científica. E foi assim que nos preparamos para um terceiro milênio num cenário futurista, igual ao filme. A virada do século foi uma decepção apocalíptica vaticinada entre Bug do Milênio e os fins dos tempos. Nada ocorreu de extraordinário a não ser a evolução científica gradual. Porém a ideia futurista de uma transformação planetária foi para o espaço. Quando entramos no século 21 até mesmo a marcha espacial se aquietou com o novo perfil econômico dos Estados Unidos e da União Soviética. Esta última havia encolhido e se transformado novamente na velha Rússia. Sem a Guerra Fria, desaparece James Bond e os filmes do gênero também perdem o charme. Depois de 11 anos, assistimos novamente, a corrida tecnológica, agora disputando mercados e não soberania nacional. Com uma diferença: as novas tecnologias atropelam a realidade mas não nos causa perplexidade. Nada mais parece distante e inatingível. É o caso da biometria. A quantas esta nova ciência irá chegar? Agora estamos renovando o título de eleitor com a garantia de que ninguém votará em nosso lugar. Mas até onde imaginamos o uso da biometria? Será que no futuro iremos precisar andar com cartão de crédito? Será que haverá, mais adiante, necessidade de alguém portar um documento de identidade, com fotografia? Para que um passaporte se um dedo ou a íris de alguém podem revelar a sua qualificação? Imagine, o leitor, o que vai ser chegar a uma loja, sem portar carteira, dinheiro ou documento algum e ser identificado dessa forma, efetuando compra, pagamento ou qualquer outra transação. O que será viver com uma moeda virtual movimentada através da leitura das saliências e reentrâncias de um polegar ou de um piscar de olhos? Hoje, nós somos o futuro imaginado há 30 ou 40 anos atrás. Mesmo assim, não paramos de fazer previsões apocalípticas. 2012 é um novo ano marcado para o juízo final. Sem falar que a mesma profecia já foi à mídia este ano. O ser humano, desde os tempos mais remotos parece obstinado pelo extermínio coletivo de sua geração. (*) É escritor.