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Opinião

Faixas de alto risco

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Há alguns anos, estava em Recife, quando numa madrugada de domingo para segunda, o abdome começou a doer intensamente. Tomei uns antiespasmódicos e tentei dormir. A dor não passou, pelo contrário, só fez aumentar. Pior, com o passar do tempo, os gazes não eram mais eliminados e o abdome distendeu. Como não melhorava, com a Ivanelza fui à emergência do Hospital Português, onde o chefe do serviço diagnosticou uma crise de diverticulite aguda e descartou a cirurgia de emergência. Resolvi voltar para Maceió de avião, onde internado na Santa Casa, os competentíssimos colegas Renato Rezende e Hélvio Ferro me tiraram da primeira crise. Desde então, por mais que me cuidasse, com dietas e exercícios físicos, a diverticulite recorrente não me deu mais sossego. Pairava o risco de perfuração, peritonite e necessidade de uma arriscada cirurgia de emergência. Uma cirurgia eletiva, muito controversa, passou a ser cogitada quando a videolaparoscopia consagrou-se como boa opção nesta patologia. Submeti-me à cirurgia. Enquanto me recuperava nos pós-operatório imediato, os parentes e amigos apoiavam e solidarizavam-se. No sábado, 18, recebi vários telefonemas, inclusive do Albérico. Poucos minutos após conversarmos, Albérico ao atravessar a Av. Sílvio Vianna na faixa de pedestres sofreu brutal atropelamento. Foi levado pelo Samu para o HGE, operado emergencialmente e de lá transferido para a UTI da Santa Casa, onde politraumatizado e em coma, a abalizada equipe médica trava intensa luta por sua vida. O apoio dos familiares e amigos é indispensável para o enfrentamento dos grandes desafios que a vida nos traz. Oscar Wilde dizia que os bons amigos são aqueles capazes de festejar as nossas vitórias e Nietzsche afirmava que os verdadeiros amigos são aqueles que nos ajudam a vencer os obstáculos da vida. O trecho da Av. Sílvio Vianna entre os Sete Coqueiros e o Alagoinhas, transformado em pista de alta velocidade, é crítico, não tem nenhum semáforo para ser acionado pelos muitos que o atravessam constantemente. Os motoristas não respeitam as faixas de pedestres que ali são de alto risco. Antes de Álberico, incontáveis foram as vítimas graves, muitas delas letais, da irresponsabilidade destes motoristas. Região belíssima, que conjuga o verde dos coqueiros e o azul do mar, é hoje repetidamente maculada pelo sangue das vítimas atropeladas em plena faixa de pedestres. O que falta para que ali se coloquem alguns semáforos? Ainda mais vítimas? (*) É médico.

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