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Opinião

Frota a renovar, j�

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Inequivocadamente a ascensão social brasileira tem no aumento da comercialização dos veículos uma de suas referências de crescimento. O processo de inclusão econômica, simultâneo com uma intensa mobilidade social, fez o mercado de veículos se aquecer (e assim se tem mantido) em todas as faixas da pirâmide. Ondas de carros zero quilômetro desaguam em mais ondas de seminovos. E na base dessa pirâmide de mercado, o calhambeque surrado não vai ao lixo. Na ponta do processo carcaças em péssimo estado de conservação são mantidas em funcionamento, circulando pelas ruas, muitas das vezes sem a menor condição para seguirem viagem a não ser que tivessem como destino algum ferro-velho. Cobra-se com razão uma fiscalização mais ampla e mais rigorosa com o fito de afastar das ruas objetos que ofereçam perigos por condições inadequadas de uso. Este é um problema sério decorrente do envelhecimento da frota, mas não é a única questão a ser resolvida no tocante aos veículos velhos. O sucateamento tecnológico é uma problemática real, cada vez mais importante de ser resolvida, pois o carro antigo em uso permanente representa a manutenção plena de fontes poluidoras que já deveriam estar desativadas. Motores ultrapassados (muito mais emissores de CO2), materiais efetivamente mais perigosos (usados em velhos painéis, revestimentos e equipamentos em geral) seguem ameaçando a todos quando a indústria, há anos, já viabilizou sua substituição. Para a sustentabilidade da indústria automobilística é indispensável a renovação da frota. E isto só poderá ser feito com políticas públicas que multipliquem as opções de transporte de massa e estimulem o descarte dos modelos velhos e superados. Sem transporte coletivo eficiente a lata velha seguirá sendo indispensável, apesar dos riscos.

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