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Portugal está às voltas com o novo Acordo Ortográfico que entra em vigor este ano. Mesmo assim a nova grafia já é aceita nos exames nacionais. O tema tem causado polêmica e insatisfação. Para o presidente da Associação Nacional de Professores, João Grancho ?na dúvida sobre o que está escrito, os professores deixam passar porque a partir de setembro deixa de ser erro?. E complementa: ?Pensou-se que o Acordo ortográfico era algo simples e que qualquer professor, lendo o documento, poderia daí retirar as consequências, mas não é assim?. Apesar de já haver publicado nesta página, em 12 de janeiro deste ano, um artigo com o título: ?Reforma Ortográfica em Portugal ? Um Castigo 254 Depois?, o assunto continua a chamar a minha atenção, agora por conta da reação da população à prática do acordo. A realidade é que os diferenciais linguísticos entre o Brasil e Portugal vão além da ortografia. É uma questão cultural legitimada pela oralidade e não apenas pela grafia. Passei quarenta dias em Portugal e precisava, vez por outra, que minha filha traduzisse o que diziam. Ler é muito fácil. Ouvir é medonho. E creio que não seja diferente para eles. Por isso que os portugueses estão escandalizados com a reforma ortográfica. É só ler os comentários feitos nos jornais digitais, abaixo das noticiais. Eis alguns deles: ?É uma vergonha para Portugal aceitar este acordo, mais nenhum pais do mundo que fala outras línguas houve tamanha ?barbarie? como aqui.? ? Odeio este acordo ortográfico. Sou contra. Deveria de ter existido um referendo para uma mudança tão radical no que é genuinamente português.? ?Cá por mim, mando o acordo às malvas. Continuarei a escrever o bom Português de sempre, não esta mixórdia, que nos querem obrigar a seguir?. Até aí percebe-se, claramente, a insatisfação com acordo. Muitos, reclamam não terem sido consultados. Outros consideram a língua do seu país ?genuína?. E, num momento de crise, com problemas econômicos e questões políticas tudo aflora. Veja o comentário de outro leitor do Correio da Manhã, de Lisboa: ?Exceção feita à Inglaterra nenhum país europeu originou coisa que presta na colonização,por isso ainda têm o domínio dos seus idiomas. Portugal deu azar pois o Brasil excedeu-lhe em tudo e se apropriou do ?seu? idioma!? Então aparece um brasileiro, residente que não gosta e responde: ?Uma vergonha é a xenofobia. A maioria é que dita as regras, agora vão aprender a deixar de comer sardinha e querer arrotar caviar!?. Poucos sabem que o Brasil falou tupi guarani até 1757 quando Dom José 1º resolveu mudar. Naquela época também a população não foi consultada. (*) É escritor.

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