app-icon

Baixe o nosso app Gazeta de Alagoas de graça!

Baixar
Nº 5756
Opinião

Castelo Branco

ARY DE A. GUSMÃO * Cearense, nascido a 20 de setembro de 1900. Morreu num desastre aéreo, ocorrido em Fortaleza, Ceará, a 18 de julho de 1967, logo após haver deixado a presidência. Destacando-se dos principais chefes e líderes da Revolução de 1964, f

Por | Edição do dia 20/09/2002 - Matéria atualizada em 20/09/2002 às 00h00

ARY DE A. GUSMÃO * Cearense, nascido a 20 de setembro de 1900. Morreu num desastre aéreo, ocorrido em Fortaleza, Ceará, a 18 de julho de 1967, logo após haver deixado a presidência. Destacando-se dos principais chefes e líderes da Revolução de 1964, foi eleito presidente da República pelo Congresso Nacional em 11 de abril de 1964, assumindo o governo no dia 15 daquele mesmo mês. O Brasil, naquela conjuntura explosiva que precedeu à Revolução de 31 de março de 1964, abeirava-se da calamidade social e econômica. A crise de autoridade submergia as chefias do governo João Goulart, fazendo ascender falsas lideranças, notabilizando demagogos e exploradores da credulidade popular. O descrédito e a insegurança dominavam os ambientes. O povo estava atônito e desorientado. O País marchava inapelavelmente para uma ditadura socialista do tipo fidelista, tendo à frente comunistas, demagogos e pelegos, irmanados na chamada Frente Popular. Chegara-se ao clímax. O povo, em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e principalmente em São Paulo (marcha por Deus, pela Pátria e pela Família), veio às ruas pedindo a proteção das Forças Armadas contra a ousadia comunizante. O povo inteiro e as Forças Armadas se irmanaram, na mesma aspiração de restaurar a legalidade, revigorar a democracia, restabelecer a paz e o progresso e a justiça social. O pólo de confiança para o qual convergiam todas as esperanças, de civis e militares, foi a figura destacada de um chefe militar sem mancha e de grande e cultivada inteligência. E assim, a Revolução de 1964, impulsionada por forças espontâneas e responsáveis, conduziu o general Castelo Branco à investidura presidencial. Poucos eram os que, como ele, por sua cultura e tradição, possuíam o prestígio e a capacidade para assumir esse posto em tais circunstâncias. Sua administração caracterizou-se pelo rigor financeiro que controlou a espiral inflacionária dominante. Promulgou uma outra Constituição, instituiu novos ministérios, promoveu reforma agrária, criou o Banco Central, o Banco Nacional de Habitação, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e diversos órgãos modernizadores da nação. Desejoso de oferecer uma imagem autêntica e imparcial do presidente Castello Branco buscamos, entre inúmeros artigos sobre a sua figura, transcrever alguns trechos: - Do Editorial do O Estado de São Paulo, publicado no dia 19 de julho de 1967, dia seguinte de sua morte: “... Habituamo-nos a ver em Castello Branco um dos maiores presidentes que a República já teve no Brasil. Não devemos olvidar a gravidade, gravidade extrema da situação nacional ao ascender ao governo o marechal Castello Branco...” – Do Jornalista Carlos Castello Branco, um dos mais severos críticos políticos: “... O marechal Castello Branco empenhou-se a fundo na recuperação econômico-financeira do País e na ordenação político-social, promovendo inúmeras reformas. Restabeleceu o princípio da autoridade, manteve a ordem, salvando a nação dos extremos da anarquia e da ditadura...” Na presidência, em sua primeira viagem a Recife, Pernambuco, Castello Branco expressa sua visão política dizendo: “... Não tenho o complexo anticomunista. Procuro, sim, distinguir e valorizar o que pode enfrentar a ideologia marxista-leninista. Acredito, porém, mais no homem do que no Estado, mais na preponderância da sua dignidade, mais na liberdade democrática do que na suposta igualdade comunista. Não compreendo, no entanto, por que importarmos toda uma ideologia que destruirá as melhores qualidades do brasileiro, a começar pelo amor à liberdade e o desejo de viver a seu jeito. O comunismo é o pior veículo de deterioração dessa ideologia, explorando sentimentos inocentes da massa popular. Os seus caminhos conduzem, infalivelmente, à opressão...” Na última reunião ministerial, em sua despedida da presidência, Castello Branco declarou: “Não quis nem usei o poder como instrumento de prepotência. Não quis nem usei o poder para a glória pessoal ou a vaidade dos fáceis aplausos. Dele nunca me servi. Usei-o, sim, para salvar as instituições, defender o princípio da autoridade, extinguir privilégios, corrigir as vacilações do passado e plantar, com paciência, as sementes que farão a grandeza do futuro...” Hoje e toda a vida, convém recordar o presidente Castello Branco. O seu ideário, o seu legado, sua agudez política e sua ação de estadista. É importante que ele nunca seja esquecido, para ser imitado, se possível, nas horas essenciais e decisivas. (*) É EX-PROFESSOR DE FILOSOFIA DA ACADEMIA MILITAR DAS AGULHAS NEGRAS

Mais matérias
desta edição