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Opinião

Em desenho e texto

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Alagoas ontem despediu-se de um seus cronistas mais expressivos: Manoel Nunes Lima. Por mais de meio século ele registrou, através de desenhos e de textos, por meio Gazeta de Alagoas, cenas das vidas dos menos favorecidos pela sorte. Em suas charges e nas crônicas da coluna Vida sem Retoque estão testemunhos críticos do cotidiano. As observações recolhidas nas conversas no mercado público, nos botecos e nas calçadas. Simples, calado, o jornalista fazia seu garimpo e devolvia ao público suas observações em duas vias distintas, a charge e a crônica. A despedida final de Nunes Lima encerra um ciclo de contribuições daquele autor, mas mantém viva a perspectiva de pleno uso, por tempo indefinido, das observações de sua lavra. Observações de um tempo onde era ?proibido falar com o motorista?, mas em torno do condutor do coletivo formava-se um verdadeiro parlatório. Era um tempo onde a maioria dos passageiros se conhecia, assim como sabia quem era o motorista e o cobrador. Era o tempo das lotações, que nunca foram exemplos de conforto e segurança, mas inexistiam assaltos à mão armada. Quando muito um descuidista, ou um punguista, fazia sua ação criminosa no que hoje poderia parecer brincadeira de criança. Hoje essas palavras perderam o sentido, pois o crime recrudesceu, agigantou-se alcançando perigosamente os coletivos. Nunes era de outro tempo e registrou magistralmente seu tempo através do olhar dos mais humildes, dos com pouco ou nenhum dinheiro no bolso. Também fez crítica política, mas sempre com um foco social, fugindo dos lugares comuns. Imorredouro, o testemunho de Nunes Lima está preservado em desenhos e textos nas coleções da Gazeta ao longo de meio século. Um grande legado para quem desejar conhecer mais o povo alagoano.

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