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Opinião

Uma pol�mica continuada

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Sempre que ouço uma nova discussão sobre a proibição, legalização ou tolerância ao uso de drogas, notadamente sobre a maconha (mostrando que não faz mal, é natural, basta usar moderadamente), sinto-me como se tivesse assistindo a um relato sobre a Hidra de Lerna, aquela cobra monstruosa, de que fala a mitologia grega, que, ao ter uma de suas cabeças cortadas, imediatamente nascia outra em seu lugar. Entretanto, a força, a coragem e a inteligência de Hércules foram capazes de derrotar a temida e legendária hidra. No caso da maconha, sempre resta uma folha (ou uma cabeça), fixamente plantada na mente de seus defensores ou na terra que a acolhe e prospera. A decisão do Supremo Tribunal Federal de liberar a realização das chamadas marchas da maconha vem provocando intensas discussões em todo o país. Os que não concordam com a descriminalização ou a legalização dessa droga estão sendo chamados de atrasados ou fora de moda. Entretanto, há que lembrar as milhares de mães brasileiras que tiveram seus filhos vitimados pelo uso continuado dessa erva, que provoca problemas respiratórios, alucinações e perturbações neurológicas. Sem falar em violências consequentes, desamores e desajustamentos familiares. Uma explicação torna-se necessária: descriminalizar significa eliminar ou abrandar punições ao consumidor; já a legalização, diz respeito à autorização da venda, consumo e produção dessas drogas. Não sei se lhe contei, leitor, um curioso fato contado pelo professor Ribeiro do Valle, que, na época, dirigia o departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina (hoje Universidade). O professor resolveu fazer uma pequena plantação de maconha no jardim de seu laboratório, para estudos farmacológicos. Uma manhã o professor foi chamado ao gabinete do diretor da faculdade, que o advertiu: ?Ribeiro, acabe, imediatamente, com a plantação de maconha em seu laboratório?. O professor tentou defender o plantio da erva que tinha uma finalidade específica, farmacológica, mas o diretor foi incisivo. ? ?Acabe, agora: um nordestino que conhece a planta, fez dela um cigarrinho e estava fumando; caiu do terceiro andar, onde estava pintando a parede externa. Está no hospital, em estado grave?. O mestre Ribeiro do Valle destruiu a plantação. Quem conhece a dura realidade vivida pelos dependentes químicos; quem conhece a luta de igrejas, associações e entidades que cuidam desses dependentes, com esforço e dedicação; quem conhece o drama das famílias envolvidas; quem sabe que as chamadas ?drogas leves? são a porta de entrada do crack e da cocaína, não pode ficar omisso ou indiferente neste momento. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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