Opinião
N�meros de guerra
Maio foi o mês mais violento no caótico Afeganistão, lugar em guerra constante desde mesmo antes da invasão e ocupação americana. Segundo órgãos internacionais, 368 foram assassinados nas literalmente explosivas terras afegãs no quinto mês do ano, ou seja: 12,4 óbitos por dia. E daí? Daí que a média diária de assassinatos em Alagoas, segundo o apurado por nossas reportagens é de 7,2 óbitos por dia. Os alagoanos estão sendo trucidados num índice diário maior que 50% do registrado num teatro de guerra das mais violentas dos tempos contemporâneos. Sem dúvida, algo está errado. Por nossos levantamentos, nos seis primeiros meses deste ano foram assassinadas 1.304 pessoas em Alagoas, o que representa um crescimento de 10% maior que o registrado em igual período do ano passado. Esse índice de crescimento dos homicídios numa comunidade poderia ser considerado irrelevante se o número absoluto fosse baixo. A grande preocupação é que, com os números de mortos em guerra que nosso Estado tem apresentado, um aumento de 10% é igualmente um percentual de áreas em guerra civil. Retornando ao Afeganistão, o índice de crescimento dos assassinatos está na faixa dos 15% de crescimento anual, o que deixa os líderes guerreiros assustados. E nós, aqui em Alagoas, como devemos nos comportar frente essa assustadora onda de crimes? Tão preocupante é nossa realidade que a ótica de abordagem dessa tragédia precisa sair do campo da retórica. Nada tem adiantado o duelo de palavras, discursos e pronunciamentos travado entre oposição e situação. Faz-se necessária uma mudança radical na abordagem dos problemas da insegurança pública em Alagoas. Nossas estatísticas precisam refletir um avanço real em defesa da vida e da Lei.