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Opinião

Privatizando a rua

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Pelas contas da prefeitura, 82 ruas estão ilegalmente ?privatizadas? em Maceió. O cenário é quase o mesmo: um grupo de moradores justifica a apropriação por motivos de segurança. Inegavelmente, é um grave e grande problema. Que tende a aumentar. Esse ?apartheid? às avessas está se tornando atitude cada vez mais comuns em áreas de classe média, especialmente em suas camadas menos aquinhoadas. O procedimento é simples: erguem-se muros e colocam-se portões, às vezes guaritas, interrompe-se o tráfego normal de pedestres e veículos. No perímetro ?dominado? só entra quem for do agrado dos novos donos da área que era pública. Enquanto isso o erário continua respondendo pelos custos de manutenção desses logradouros privatizados. Com razão, o poder público tem protestado e até tomado iniciativas para retomada dos espaços perdidos; nalgumas vezes tem literalmente posto abaixo portões e muros irregulares. Mas o problema não só continua a existir como a tendência é o crescimento das ações de expropriação de logradouros. A segurança é uma justificativa indiscutível, pois a restrição do trânsito nas vias interditadas reduz a facilidade dos larápios realizarem suas incursões. Porém, como se sabe, nem mesmo estão invulneráveis os condomínios que investem pesado em segurança privada e eletrônica, quiçá as ruas resguardadas por uma mureta e portão (e um ?vigia? nem sempre treinado para a função). Não serão resolvidos assim os problemas de insegurança pública. Nem aqui nem alhures as barricadas domésticas impedirão eficientemente o avanço dos criminosos. A segurança pública só poderá ser equacionada enquanto alvo de políticas eficientes e ousadas, respaldadas em investimentos racionais em pessoal treinado e no uso de equipamentos modernos de vigilância eletrônica. A atual onda de privatização dos logradouros apenas complicam a vida urbana como um todo.

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