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Opinião

Muito al�m da sala de aula

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Os novos tempos, com a celeridade da vida hodierna, quase não nos permite divagar por entremeio sem o ímpeto do pragmatismo insustentável. Sobretudo, quando a semana acumula um feriado, um dia imprensado ou recesso. A tendência é cultuar o ócio e alimentar a preguiça. Quando a semana recomeça, vem a sensação de perda de tempo, uma espécie de remorso do que se deixou de fazer. O tempo acabou. Os planos se foram e rotina custa engrenar uma primeira. Por isso foi uma surpresa ver a Dona Edvanilda Silva das Neves, chegar ao Palácio do Comércio, logo ao abrir dos portões desta terça-feira, dia 28 de junho. Apresentou-se como professora e, rapidamente, deu todo o serviço com a desenvoltura de quem já havia decorado o texto. Queria programar a visita de seus alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental ? Antônio Lins da Rocha, de Colônia de Leopoldina. Até aí, tudo muito simples, são 45 alunos e a visita deverá ocorrer em agosto deste ano. Depois, ali mesmo planejou, rapidamente, perguntando sobre o Museu de Arte Brasileira da Fundação Pierre Chalita, o percurso que faria, concluindo no Museu Théo Brandão com o acréscimo, que eu mesmo fiz, até a Casa Jorge de Lima. Mas a professora, com mais de 27 anos de magistério, não parecia cansada. Ao contrário estava aproveitando o recesso, dado pelo governo, para programar estas atividades para seus alunos. Tinha paixão pelo que fazia. Quase perto de se aposentar a professora, hoje vivendo em Maceió, ainda possui parte de sua carga horária em Colônia de Leopoldina, onde vai duas vezes por semana. Num mundo onde as boas ações estão sempre antecipadas de uma remuneração, a Professora Edvanilda não parece preocupada com isso. Tem seu trabalho como uma missão. Mais do que isso é um compromisso com os alunos. E esta não é a primeira vez que realiza esta mesma proeza. Fez isso com o tema ?meio ambiente? e levou seus alunos para conhecer o Ibama. Ela mesma nunca havia ido. É como disse logo que chegou. Ficamos tão próximos de Pernambuco que os alunos sabem mais sobre aquele estado do que sobre Alagoas. Ela se foi eu fiquei a me perguntar: quantas Edvanildas temos no Brasil? Quantas mulheres ou homens são capazes de ir além do compromisso da sala de aula? Quantos não se sentem derrotados pela falta de valorização do magistério? Quantos se sentem inseguros com a violência nas escolas? Quantos precisam de uma escola? E quantos de um professor? (*) É escritor.

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