Opinião
Ru�nas flutuantes
Lamentável é a sina do antigo Alagoinha e a notícia do desfazimento de sua desapropriação parece ser mais um golpe contra a restauração da beleza de um dos pontos mais belos de Alagoas. Em seu projeto arquitetônico original, o Alagoinha era adequado a sua época: simples e ousado ao mesmo tempo. Com o passar dos anos a estética do imóvel começou a ser aviltada por interferências de péssimo gosto, como a proa de navio-fantasma que lhe servia de entrada e a profusão de cavalos-marinhos a servirem de ilegal cercado aos terrenos que deveriam ser públicos. Enfim, a construção sobre os arrecifes da Ponta Verde consolidou-se como um monumento ao mau gosto. Em permanente decadência, foi despropriado com o fito de ali ser instalado algo útil à comunidade e, especificamente, ao turismo. O tempo passou, nada foi feito. Abandonado à própria sorte, o azar lançou âncoras e as instalações, abandonadas, não só aprofundaram sua feiura física como enfeiaram ainda mais socialmente, virando um ponto para consumo de drogas e outras tantas práticas condenáveis. Transformou-se no primeiro pardieiro sobre arrecifes no Brasil, quiçá no mundo. Estabeleceu-se ali uma cracolândia sobre as ondas num dos mais fantásticos cenários em todo nosso litoral. Com a desapropriação cancelada naufragam as esperanças de um final mais feliz para a múmia do que poderia ter sido a destemida ideia de erguer um espaço de entretenimento e encontro social sobre as águas da Ponta Verde. Que advirá daquelas ruínas? Os proprietários originais terão condição de fazer o que não fizeram durante o tempo no qual administraram o local? Um novo (e real) projeto público poderá ser tentado novamente? Infelizmente Maceió segue castigada com um esqueleto de concreto e lixo num de seus mais fantásticos recantos.