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Opinião

O tr�fego de Macei�

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O tráfego de carros e pedestres em Maceió é horrível. Fiquemos apenas com cinco exemplos. Primeiro. Em toda Maceió conheço apenas três passarelas para pedestres: a da Ufal, a do Canaã e a do antigo Cepa. E só. Descendo no aeroporto de Salvador e indo em direção à cidade, temos a Avenida Paralela com 15 km. Apenas nesta via há 12 passarelas para pedestre. Aqui colocamos semáforos. Qual a razão para não termos mais passarelas? Que tal uma em frente à antiga Ceal? Já seria um semáforo a menos. Que tal uma próxima à rótula da Polícia Federal? Opa, outro semáforo a menos. E daí por diante. Uma obra premoldada, com passarela metálica não impactaria em quase nada os cofres da Prefeitura. E são de fácil e rápida montagem. Segundo. Na ex-bela Rua das Árvores, ou melhor Rua Ladislau Neto, no Centro de Maceió, havia até pouco tempo duas faixas para carro. Agora temos apenas uma, pois a outra foi tomada por carrinhos de vendedores de frutas em quase toda sua extensão. A cena é de bagunça total. Há alguma ação para por um pouco de ordem naquela situação? Terceiro. Aqui em Maceió se você quer parar o carro em qualquer lugar, a qualquer hora, na faixa de rolamento, de qualquer avenida ou rua, é só ligar o sinal de pisca alerta. Pronto. Por algum motivo, alguns acreditam que este sinal revoga tudo que está escrito no código de trânsito. E ficamos torcendo por uma multa neste condutor. Quarto. Na Rua Barão de Atalaia às 10 horas da manhã, de qualquer dia, algumas carretas, do tamanho de um Boeing, manobrando em marcha ré, tentam alcançar as portas de um depósito de um supermercado. Ninguém se incomoda em ter o tráfico interrompido por 20 ou 30 minutos para termos a manobra finalizada. Se você reclama com o motorista, ele se sente injustiçado e incompreendido. Que cidade civilizada permite esta ação às 10 horas da manhã numa avenida movimentadíssima? Quinto. Dois carros colidem. Resultado: apenas dois para-choques levemente arranhados. Decidem manter os carros na faixa, aguardando uma perícia. E o fluxo de carros? Que esperem meu problema ser resolvido. Que cidade civilizada permite este comportamento? Eu, de minha parte, saio de casa diariamente com um pensamento e um sentimento: respeitarei as regras de trânsito e nenhuma aberração vai me tirar o humor ou a paciência. Já divido diariamente, com resignação, uma das faixas da Via Expressa com pedestres, ciclistas, motociclistas, carroças, cavalo, vacas, buraco e poças de água. Para finalizar, moramos por um ano numa pequena cidade da Califórnia, com o trânsito muito bem organizado. Um colega de lá, que veio nos visitar, tentou dirigir por aqui, teve um ataque de pânico, largou o carro no primeiro espaço vazio e voltou de táxi. Nos considera loucos e irresponsáveis em dirigir com essas condições. E nós o chamamos de fresco. Como disse Euclides da Cunha em Os Sertões, alimentamos ?a todo o transe esperanças de uma resistência impossível.? (*) É professor da Ufal.

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