Opinião
Alma nordestina
Os anos que antecederam a promulgação da Constituição Federal de 1988, em vigor, evidenciaram a luta dos nordestinos para consolidar uma política de desenvolvimento. As instituições regionais se empenharam em promover o soerguimento de nossa economia e delinear uma nova imagem para o Nordeste brasileiro. As conquistas inseridas na lei maior do País, representaram uma verdadeira Declaração dos Direitos do Nordeste. A questão regional passou a contar com mandamentos constitucionais em prol da redução das desigualdades e da erradicação da pobreza. Um notável avanço em benefício do processo de integração nacional, secularmente sonhado. As principais vertentes dos caminhos de nossa redenção econômica seriam ? organismos regionais fortes e eficientes, incentivos fiscais disponíveis, financiamentos diferenciados, recursos estáveis e de fluxo permanente e apoio aos empreendimentos produtivos. Destacados políticos da região, economistas, advogados e técnicos formaram a diretoria do Banco do Nordeste, na referida década, estabelecendo marcas,erguidas em defesa do crescimento e dos valores de nossas tradições culturais. A legendária bandeira nordestina levada aos constituintes e às autoridades federais na capital da República, logrou uma adesão histórica, de respaldo constitucional, para regulamentar instrumentos capazes de fomentar o desenvolvimento sustentável da região. No ambiente bancário de trabalho e pensamento, uma convivência de idealismo,ao lado do talento de inesquecíveis companheiros, figuras destacadas dos diversos Estados nordestinos. Discussões memoráveis e ações redentoras foram delineadas, baseadas na vocação econômica de cada Unidade da federação. O Nordeste brasileiro passou a ser melhor compreendido. Encarou a hegemonia do centro-sul do País com teimosia empreendedora e a capacidade de retribuir aos cofres do Tesouro, através de impostos, os valores recebidos à título de incentivos fiscais e projetos prioritários. O desenvolvimento regional após um processo de afirmações sofreu o insensato esvaziamento de seus organismos oficiais. O Nordeste permaneceu enfrentando o mito do desfalecimento. Restou aos seus representantes políticos o esforço heroico de pleitear junto à União, recursos proporcionais à sua população, como manda a Constituição. Dados oficiais agora divulgados revelam ? na última década, as disparidades regionais, apesar de ainda gritantes, sofreram reduções e houve melhoria na distribuição de renda da população. O contexto refaz uma velha odisseia, escrita de bravura, ilusões e vontade ferrenha de perecer lutando. (*) É advogado.