Opinião
Li��es de sangue
Mais uma tragédia fatal chama a atenção com sangue inocente para a gravidade da insegurança pública em Alagoas. Numa análise justa e desapaixonada, deve-se reconhecer que, apesar dos índices dos crimes em Alagoas chamarem a atenção para nossa realidade, esta é a realidade do resto do Brasil. Qualquer dúvida basta conferir na mídia os acontecimentos no Rio de Janeiro, por exemplo, onde as tropas têm que ocupar morros densamente povoados em verdadeiras ações de guerra. Longe de ser o único, o drama alagoano, contudo, é inusitado em termos da quantidade de homicídios registrados ao longo da história de Alagoas. Estado onde o crime nunca foi novidade, é terrivelmente inovadora a explosão e massificação do crime organizado urbano. Ao perder a vida em decorrência da troca de tiros entre bandidos e um suposto policial, a jovem Nadian Alves de Freitas, de 29 anos, chama a atenção de toda a sociedade para a complexidade do quadro vivido por Alagoas. Em primeiro lugar, confirma-se a ousadia e letalidade das quadrilhas que infestam nossas cidades. Para esses bandidos, mormente jovens viciados, matar é coisa banal e facílimo se comprova seu acesso a armas que deveriam estar reservadas às forças policiais. Em segundo lugar, porém não menos importante, é recorrente e evidente o despreparo quando acontece a tentativa de reação. O saldo, nessas tentativas de resistência, tem sido terrível; basta lembrar o caso do assassinato do policial cuja carreira é referência de coragem e profissionalismo, Anderson Silva. A detenção de um dos suspeitos de ter participado da ação criminosa, por outro lado, confirma que o amadorismo é muito menor no lado acusado de banditismo. Basta ver que o hospital onde o suspeito retirou o projétil que lhe atingiu a perna ter informado que o procedimento cirúrgico, particular, teria sido custeado em dinheiro vivo e numa quantia considerável. Ou seja: a maioria sã da população alagoana segue em grande desvantagem frente à minoria criminosa.