Opinião
O a��car e os outros
JMS é um homem de 53 anos, trabalhador autônomo. Vive na cidade de Porto Velho. Acometido por malária, após inúmeras tentativas de atendimento frustradas no SUS de Rondônia, surgiu-lhe como única alternativa, procurar socorro médico na Bolívia. Lá encontrou um grande contingente de brasileiros enfermos tentando a mesma sorte. No Rio Grande do Sul, a média de ocupação das unidades de emergência é duas a três vezes a sua capacidade real. No Oiapoque, Amapá, existem só dois médicos para atender vinte mil pessoas. No Rio de Janeiro, embora exista uma extensa rede com 3.565 unidades públicas, os médicos não se fixam no serviço público e a qualidade da assistência médica é precária. Em São Paulo, cerca de 60 mil médicos atuam no SUS, trabalham em unidades municipais e estaduais superlotadas e sem condições adequadas de atendimento à população. No Distrito Federal,existem inúmeras interdições éticas e profissionais por conta de precariedade do Sistema.Em comum os baixos salários dos profissionais. Em Goiás, o Conselho Regional de Medicina, vai às ruas e grita: ?Diga não ao caos na saúde pública!?. No Paraná, os hospitais dependentes unicamente do SUS,conseguem suprir somente 50% de seus custos com a remuneração recebida pelos serviços prestados, o que justifica o grau elevado de endividamento. Os registros acima fazem parte do levantamento que o Conselho Federal de Medicina fez no País e agora publicado. Os hospitais do Paraná, um dos Estados mais ricos do Brasil estão nesta situação caótica; o que ocorre com os estados mais pobres, como Alagoas, que detém uma das mais altas percentagens de pacientes dependentes do SUS no País? O Hospital do Açúcar, de tantos e tão relevantes serviços prestados á comunidade alagoana, reflete apenas uma dramática situação generalizada. Esta situação caótica não é isolada, nem nova. A maioria dos hospitais filantrópicos de Alagoas e do País ? com raríssimas exceções -- estão em situação semelhante. O incontestável é que o que o SUS remunera é ridículo , diante dos custos reais da maioria dos procedimentos.É indispensável se debruçar sobre esta situação com a seriedade que ela merece e não com oportunismos e irresponsabilidades outras. O Hospital do Açúcar e a maioria dos hospitais filantrópicos, que prestam tantos e tão indispensáveis serviços à população mais carente não pleiteiam esmolas; precisam de remuneração minimamente justa pelos serviços prestados à população. A presidente Dilma conhece esta situação deplorável e durante a campanha eleitoral prometeu tomar providências urgentes. O tempo passa e a situação só se agrava. (*) É médico.