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Muito se tem comparado o custo da construção de uma ponte, em mar aberto, na China, com obras, nem tanto equivalentes em nosso País. Esse confronto dá-se, principalmente, pelas constantes denúncias que têm sido veiculadas em nossa imprensa, sempre alerta e investigativa, constatando o mau manuseio do dinheiro público. Por coincidência, as últimas envolvem, exatamente, o Ministério dos Transportes, órgão responsável pela infraestrutura de nossa malha viária. Mesmo com todos os trambiques praticados pelos mandatários de plantão, não se pode ter como parâmetro um país como a China. O que vem de lá dificilmente pode ser tomado como verdadeiro. Começando por suas notícias e continuando por seus produtos, frutos de um governo autoritário. Dou como exemplo um debate, no programa Globo News Painel, onde o moderador e apresentador William Waack trouxe-nos o diretor da FIESP, José Ricardo Roriz, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo-São Paulo ? filiado à CUT, Sérgio Nobre e o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros. Inusitado foi assistir à concordância dos dois primeiros, patrão e empregado, no que diz respeito aos produtos de origem chinesa. O sindicalista foi incisivo em afirmar que a China não é uma economia de mercado, pedindo, inclusive, restrições para a entrada no Brasil de produtos fabricados naquela nação. Sente na pele o que o presidente da FIESP, Paulo Skaf, vem denominando de ?desindustrialização? e ao que José Serra chama de ?exportação de nossos empregos?. A China procura produzir aquilo que anteriormente importava, só que com uma mão de obra infinitamente mais barata e desqualificada, espalhando pelo mundo genéricos de todas as marcas, sem o devido licenciamento. Diz Mailson da Nóbrega que ?a invejável situação chinesa deriva de imposições do seu regime autoritário, que não queremos?. A grande verdade é que, se por um lado temos uma imprensa, ainda, livre, que nos mostra as mazelas praticadas pela administração pública, que eleva os custos das obras, embutindo propinas para pagamento de ?mensalinhos? e ?mensalões?, por outro, não se pode aquilatar as informações passadas por aquelas autoridades se, na construção de sua ponte, não sabemos quantos operários trabalharam, quantos morreram durante a obra, sob que regime trabalhista foram fabricados os materiais nela usados e, acima de tudo, se foi real o seu custo divulgado. Assim sendo, de qual forma podemos tê-los como paradigma? (*) É bacharel em Economia ([email protected]).

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