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As pedras do Di�genes

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CLÁUDIO VIEIRA * Noite de quinta-feira, 5 de setembro. A Casa da Palavra, já em si tão cheia de vida interior, engalana-se e, festiva, abre suas portas para receber boa parte da intelectualidade alagoana. É um encontro cultural, sem dúvidas moderno sarau; especial, todavia. Ali e naquele momento, o jovem Diógenes Tenório Júnior, ele, em cuja alma a poesia floresce e aflora com a naturalidade dos verdadeiramente inspirados, envereda pelo caminho da biografia e, não por acaso, esse novo caminhar inicia com a biografia de um outro poeta: Tito de Barros. É notável como a poesia envolve a vida do autor. O livro biográfico que lança não consegue conter o poeta que há em si e o biógrafo transforma-o em mais que um narrar a vida de Tito de Barros: coleciona os poemas escritos da inspiração do vate alagoano do passado, poemas esses que, não fosse a sensibilidade de Diógenes, poderiam estar fadados ao esquecimento, guardados no amor da família daquele militar na farda e parnasiano no coração. Com a biografia de Tito de Barros, um presente: O Clamor das Pedras, delgado livro em páginas, mas prenhe da poesia do amigo Diógenes Tenório Júnior. Deliciam-me os poemas, pois, poeta já tentara ser um dia, há muito, nos tempos escolares. Assim, o poeta frustrado, ainda sobrevivente e quieto no seu cantinho, debruça-se, agora, não sobre um tratado de Direito, um best-seller ou quejandos, mas diante da obra do jovem vate, a primeira, sobre a qual a minha saudosa professora Heliônia Ceres escrevera: ?O Clamor das Pedras é um livro afirmativo e questionador, de cuja leitura emergimos mais dispostos para enfrentar a árdua tarefa de conhecermos a nós mesmos?. Assim, sentado à mesa de um restaurante, alheiei-me do tempo e das pessoas na apreciação daquelas preciosas pedras transmudadas em versos, ora românticos, ora céticos, mas sempre exsudantes de poesia. Versos nostálgicos, tristes às vezes, os há, também, em Diógenes; mas o que é a tristeza no poeta senão uma das suas razões de ser? Não foi o colossal Vinícius de Moraes que versejou afirmando que ?... o poeta só é grande se sofrer?? Veja-se, por exemplo, o poema que dá título ao livro: ?Deixa as pedras clamarem;/Com o tempo, calarão,/Verão que é inútil seu grito,/E guardarão suas forças/Para chorar silenciosamente/Pelas vozes silenciadas.? Prossegue dizendo: ?Não dês ouvidos ao que elas dizem!/A vida não é retórica, e o mundo/Nunca sobreviveu às custas/Dos idealistas e das poesias./Olha ao teu redor: podes sentir/O mau cheiro das almas em decomposição./É essa a realidade em que vives,/É esse o destino que te aguarda. ? Vamos embora, cuidar do que é nosso./Deixa as pedras clamarem;/Com o tempo calarão.? Não obstante essa desabafo da alma traduz, em outra pérola (Fio Condutor), o sentimento que a todo jovem, mesmo que só no espírito, conduz: ?Tua mensagem almeje o infinito,/Tuas palavras não vejam limites./Teu sonho não encontre uma barreira/Que possa arrefecer-lhe a esperança?. (*) É ADVOGADO MILITANTE

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