Opinião
Outra posterga��o
Explicações certamente existem mas o que pode justificar os recorrentes atrasos nos cronogramas das obras públicas? O caso do restaurante popular prometido para o complexo residencial Benedito Bentes é um exemplo eloquente. Mais um. Poder-se-ia citar, sem risco de erro, a longeva construção da duplicação da rodovia Maceió/Barra de São Miguel. As obras são tão morosas e interrompidas que os trechos já prontos correm risco de se desgastarem completamente antes da conclusão do projeto. Ou seja, antes de ser inaugurada, a estrada corre o risco de requerer reformas pelo desgaste de uso e/ou não uso. Mas regressando ao ponto inicial, o restaurante popular do Benedito Bentes, podemos comprovar a preponderância da burocracia e do descaso pelo resultado final. O processo, em suas démarches, em seus infindáveis elos de avisos, notificações, avaliações, verificações e demais passos é que parece ser o essencial. Ao fim e ao cabo, no mês onde era prevista a inauguração da obra, os candidatos a usuários apenas podem contemplar buracos escavados aqui e ali num terreno onde apenas o matagal anuncia crescimento. As explicações das autoridades responsáveis alongam-se sobre as hipóteses burocráticas, todas generosas em termos de alongamento de prazos. As perspectivas para a entrega da obra prometida para este mês continuam nebulosas e a única certeza é que ninguém sabe quando o restaurante popular poderá dispor de suas instalações físicas. Quando começará a funcionar é outra questão para a qual a interrogação é a resposta. Explicações sempre existirão. Mas o fato é que continua sem resposta adequada a cobrança, o interesse público primordial de receber, em tempo hábil, as obras pelas quais já pagou (via os impostos duramente recolhidos). Infelizmente, o restaurante popular é apenas mais um exemplo.