Opinião
Padre C�cero
Padre Cícero. Nasceu na cidade do Crato (Ceará), no dia 20 de março de 1844. Aprendeu as primeiras letras com seu pai e aos 12 anos fez voto de castidade, após ter lido a história de São Francisco de Assis. Em 1865, entrou para o Seminário, em Fortaleza, onde veio a se ordenar em 30 de novembro de 1870. Celebrou sua primeira missa, no dia 8 de janeiro do ano de 1871, na Igreja Nossa Senhora da Penha, no Crato ? sua cidade berço. No Natal, do ano de 1871, reza a primeira missa no Juazeiro (na época, distrito do Crato). Devido à falta de capelão, foi o padre Cícero convidado para ser pároco daquela comunidade. Chegou ao Juazeiro, em maio de 1872, onde deu início seu trabalho religioso e organização da sociedade juazeirense. Criou cursos de carpintaria, pedreiro, funileiro, artesanato, pintura e também distribuiu terrenos da igreja para a construção de casas e para o plantio. No início de 1889, a beata Maria de Araújo ao receber a hóstia do padre Cicero, na Igreja Nossa Senhora das Dores, a partícula transformou-se em sangue na boca da beata, vindo repetir várias vezes na presença de todos os presentes. O que passou a ser chamado de Milagres de Juazeiro. Por causa desse acontecimento, d. Joaquim, Arcebispo de Fortaleza, suspende o padre Cícero da ?Ordem? e, em seguida, o obriga a deixar o Juazeiro, indo o mesmo morar em Salgueiro, no vizinho Estado de Pernambuco. Diante dessa decisão, padre Cícero apelou para o Vaticano, ficando em Roma de março a outubro de 1898, esclarecendo os fatos e respondendo a inquéritos. Foi recebido pelo Papa Leão XIII e absolvido pela Santa Sé. De volta ao Brasil, d. Joaquim não autorizou que o padre celebrasse no Juazeiro, deixando-o deprimido, doente e mais uma vez suspenso da ?Ordem?. Faleceu no dia 20 de julho de 1934 e sepultado no dia seguinte, onde mais de 50 mil pessoas acompanharam o enterro. Após 77 anos de sua morte, mais de dois milhões de pessoas ainda visitam anualmente o Juazeiro. Os feitos desse patriarca do Nordeste estão na mente não só do caatingueiro, mas de todo nordestino. Esperamos que a Igreja Católica venha reconhecê-lo como aquele que tinha uma missão na cidade de Juazeiro do Norte de ser o Conselheiro Espiritual da Família Sertaneja. (*) é deputado estadual.