Opinião
Carta aberta
Senhores e senhoras vereadores (as): o pensador, poeta, historiador e político britânico Thomas Macaulay que viveu no século 19 afirmou certa feita que ?não há nada mais inútil que uma máxima geral?. Acabo de constatar que é verdade! Tramita na Câmara de Maceió projeto que propõe o aumento em dez do número de seus componentes, passando dos atuais vinte e um para trinta e um, sob o argumento de que seria um imperativo legal. Com isso a despesa da casa aumentaria em igual proporção e já se fala em diminuição do número de cargos comissionados como forma de compensar esse aumento por não haver base legal para se aumentar também o duodécimo da Casa. E pensar, como me lembrou recentemente um amigo, que houve uma época em que os vereadores no Brasil não eram remunerados... Mas nada disso importa. O que realmente conta neste caso é que a proposta encerra em si mesma uma imensa inutilidade, revelando-se inócua, amorfa e desnecessária. Talvez os possíveis interessados em ocupar uma das vagas na Câmara de Vereadores de Maceió sejam os únicos a concordar, mas a verdade é que esta não trará nada de positivo para nós cidadãos contribuintes que bancamos suas despesas. Afinal de contas não é de mais vereadores que Maceió precisa, mas de trabalho para os inúmeros cidadãos que vemos nas ruas a esmolar ou simplesmente conduzindo carroças puxadas por burricos como se estivéssemos em pleno século dezenove. Maceió precisa, sim, de hospitais que funcionem a contento, de ruas melhor pavimentadas e sem os constantes estrangulamentos no trânsito; precisa de creches dignas para nossas crianças carentes, de limpeza urbana eficiente, de escolas que realmente cumpram a missão de educar e tantas outras necessidades. Mas, reafirmo, não precisa de mais vereadores! Então, qual a motivação deste projeto? Não venham me afirmar que é para se adequar ao texto da Constituição já que este não determina o aumento automático do número de vereadores, apenas permite à Câmara optar, ou não, pelo tal aumento. Se não existe a obrigatoriedade de se ampliar o número de vereadores de acordo com o aumento populacional da cidade e não havendo razão plausível para fazê-lo diante das deficiências de estrutura física, social e humana que vivenciamos no nosso dia a dia de urbe pobre e carente, que tal arquivar esta ideia? Como já afirmava Shakespeare, o diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém! (*) É promotor de Justiça e professor da Ufal.